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Justiça Quarta-feira, 05 de Agosto de 2026, 11:03 - A | A

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Quarta-feira, 05 de Agosto de 2026, 11h:03 - A | A

INSTINTO MACHISTA

Homem que matou mulher trans em Cuiabá é condenado a 18 anos por feminicídio

Jurados reconheceram todas as qualificadoras do crime, incluindo feminicídio por identidade de gênero, e a Justiça determinou execução imediata da pena.

ANDRÉ ALVES
Da Redação

Marcelo Camargo/Agência Brasil

FEMINICÍDIO

O Tribunal do Júri de Cuiabá condenou nesta quarta-feira (5) Junio Santos da Silva a 18 anos de prisão pelo assassinato de Gerardo Ribeiro Lima Junior, conhecida como Gisa, mulher trans de 55 anos. O crime ocorreu em 7 de abril de 2024, em um terreno baldio no bairro Consil, onde a vítima foi golpeada na cabeça e asfixiada, segundo o laudo pericial citado na sentença. A motivação do crime, de acordo com o próprio réu, foi o fato de ele não saber que Gisa era uma mulher trans.

A juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou o regime inicial fechado e a execução imediata da pena, seguindo o entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre condenações proferidas pelo Tribunal do Júri. O Conselho de Sentença reconheceu todas as qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT): motivo torpe, meio cruel, asfixia, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio por razões relacionadas à identidade de gênero de Gisa.

Durante a dosimetria, a magistrada considerou que o crime teve consequências graves para a família da vítima, incluindo quadros de ansiedade, insônia e síndrome do pânico relatados por parentes. A juíza destacou que tais efeitos "extrapolam o resultado morte" e justificam o aumento da pena-base.

"Tais consequências extrapolam o resultado morte, inerente ao tipo penal, e atingem, de forma concreta, terceiros que compõem o núcleo familiar da vítima, o que legitima a exasperação da pena-base nesse particular", destacou a magistrada.

A defesa havia recorrido da decisão de pronúncia, mas o Tribunal manteve o envio do caso ao Júri. Em plenário, os jurados rejeitaram todas as teses defensivas e confirmaram a autoria e a materialidade do crime. Junio Santos da Silva já estava preso preventivamente desde novembro de 2024 e continuará detido, sem direito de recorrer em liberdade.

LEIA MAIS: Acusado de matar mulher trans asfixiada vai a júri nesta terça

O CRIME

De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu em 7 de abril de 2024. O próprio Junio confessou à Polícia Civil ter matado Gisa após descobrir sua identidade de gênero durante um programa sexual. Segundo a acusação, o investigado descreveu em detalhes a dinâmica do crime durante o interrogatório e afirmou que agiu impulsionado por um "instinto machista".

Conforme os autos, Junio havia chegado havia pouco tempo a Cuiabá para trabalhar em uma obra. Na noite do crime, passou horas ingerindo álcool e drogas em um bar próximo ao hotel onde estava hospedado. Durante a madrugada, afirmou ter encontrado uma pessoa na rua que oferecia um programa sexual por R$ 50.

Segundo seu relato, o pagamento foi feito por Pix na recepção de um hotel, mas, em vez de utilizarem um quarto, ambos seguiram para um terreno escuro. O acusado afirmou que acreditava que faria um programa com uma mulher cis e disse ter descoberto apenas naquele momento que a vítima era uma mulher transexual.

Ainda conforme o interrogatório, ele declarou que não se recorda exatamente da sequência dos fatos, mas afirmou acreditar que seu "instinto machista falou mais alto". Junio confessou que agrediu a vítima com socos e também utilizou pedras para atingir sua cabeça. Depois do crime, retornou ao hotel, descartou as roupas manchadas de sangue e voltou para Minas Gerais.

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