O senador Jayme Campos (União Brasil) reagiu à derrota na convenção estadual do partido afirmando que o processo foi conduzido de forma "draconiana", "desigual" e "desonesta". Em discurso após a votação desta quinta-feira (30), na CDL Cuiabá, Jayme disse que respeita a decisão dos convencionais, mas atribuiu o resultado à influência do poder econômico e a articulações de bastidores. A maioria dos delegados do União Brasil optaram pela coligação com o Republicanos, do governador Otaviano Pivetta.
"Estou aqui com a minha cabeça erguida, certo de ter participado de um processo democrático. Entretanto, nunca vi, ao longo dos meus seis mandatos, uma convenção produzida de forma tão draconiana, ou seja, desigual e desonesta", declarou.
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Apesar das críticas, o senador afirmou que aceita o resultado da convenção e disse que não faz política "na marra" ou "goela abaixo". Jayme também alegou que a disputa foi influenciada pelo "rolo compressor" e pelo "poder econômico", além de mencionar supostos acordos políticos.
"Prevaleceu o famoso rolo compressor. Prevaleceu o poder econômico, que eu jamais tive para competir. Não foi uma eleição tranquila, transparente ou republicana. Houve acordos feitos às caladas da noite, buscando pessoas mais fracas, sem personalidade e sem dignidade. Jayme Campos jamais faz negociata. Jayme Campos jamais vende sua dignidade", discursou.
Ao encerrar, o senador, que chegou a chorar durante o discurso, mandou um recado aos adversários e afirmou que permanecerá atuando nos bastidores do cenário político. "Saio daqui tranquilo. Enganam-se os meus adversários, os traíras, os traidores. Jayme Campos nunca vai baixar a cabeça para ninguém. Nunca ficará de joelhos. Não vou me furtar à luta".
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LEIA DISCURSO DE JAYME CAMPOS
"Estou aqui com a minha cabeça erguida, certo de ter participado de um processo democrático, como todos nós queremos em uma plena democracia.
Entretanto, vou fazer um pequeno desabafo. Nunca vi, ao longo da minha vida política, dos seis mandatos que obtive, uma convenção conduzida de forma tão draconiana, ou seja, desigual e desonesta.
Sou muito fiel a Deus. Deus, na sua infinita bondade, se assim decidisse que a maioria dos convencionais apoiasse essa possível coligação ou outra agremiação partidária, eu respeitaria. Não faço política na base do fórceps, na marra ou empurrando goela abaixo. Eu faço política respeitando, acima de tudo, o cidadão que confiou em mim durante toda a minha vida pública e ao longo dos meus seis mandatos.
Saio desta convenção com o dever cumprido, por ter buscado disputar uma eleição para o Governo de Mato Grosso. Os convencionais não quiseram. Acharam melhor apoiar outra coligação, mesmo sem haver nada formalizado. Mas nós temos que respeitar.
Os senhores me conhecem. Eu faço política porque gosto de política. Eu faço política porque respeito o cidadão, sobretudo o mais humilde.
Entretanto, quero deixar registrada a minha eterna gratidão. Jamais esquecerei os companheiros e companheiras que estiveram ao meu lado. A minha história fala por si. Ninguém ganha uma eleição como eu ganhei. E, se eu disputasse a eleição, tenho certeza de que venceria o pleito de 2026.
Mas prevaleceu o famoso rolo compressor. Prevaleceu o poder econômico, com o qual eu nunca tive condições de competir, porque jamais comprei quem quer que fosse.
Não foi uma eleição tranquila. Não foi uma eleição transparente. Não foi uma eleição republicana, diante da força do poder do Estado, com acordos sendo feitos nas caladas da noite, buscando as pessoas mais fracas, aquelas que não têm personalidade, não têm dignidade e fazem de qualquer mandato um instrumento de negociação.
Jayme Campos jamais faz negociata. Jayme Campos jamais vende a sua dignidade. Jayme Campos continuará sendo o mesmo homem que sempre foi durante toda a sua vida pública, no exercício dos cargos que ocupou.
Saio daqui tranquilo. Enganam-se os meus adversários, os traíras, os traidores. Jayme Campos nunca vai baixar a cabeça para ninguém. Jayme Campos nunca, jamais, ficará de joelhos ou se curvará a quem quer que seja.
Não vou me furtar à luta".
CONTAGEM DOS VOTOS NA CONVENÇÃO
Jayme Campos não foi escolhido como candidato ao governo na convenção. Ao todo, foram 30 votos favoráveis à coligação, 19 votos favoráveis à candidatura própria, um voto nulo e uma ausência. O vereador por Cuiabá, Dilemário Alencar, foi destacado para ler os votos. Mauro Mendes acompanhou a contagem de votos ao lado de Jayme.
A escolha acompanha o posicionamento adotado horas antes pelo Progressistas, partido que integra a Federação União Progressista (UP) com o União Brasil. Em convenção, o PP formalizou apoio à pré-candidatura à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Após a decisão, Pivetta telefonou às lideranças da sigla para agradecer o respaldo.
A votação dos delegados ocorreu ao longo de cinco horas.
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