Um produtor rural, e também maior doador da campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022, foi autuado por trabalho escravo ao manter 35 trabalhadores na lavoura de algodão da Fazenda Reata, em Campo Novo do Parecis (402 km de Cuiabá). A informação foi divulgada nesta segunda-feira (27), pelo Repórter Brasil.
De acordo com a reportagem, o fazendeiro é fornecedor da multinacional Bunge e um dos principais produtores do agronegócio do país. Segundo o próprio, a parceria já dura 42 anos e toda produção de algodão será destinada a outra multinacional comprada pela Bunge, a Viterra.
Conforme o Repórter Brasil, a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que contou com apoio da Polícia Federal, revelou que os trabalhadores estavam atuando no controle manual de plantas daninhas na lavoura de algodão, sem uso de equipamentos de segurança. O resgate do grupo ocorreu no dia 8 de junho.
Com restrições de locomoção impostas pelo produtor, os 35 trabalhadores estavam submetidos a condições degradantes, tanto de trabalho quanto de moradia, segundo os auditores fiscais.
A investigação apontou que o produtor teria recrutado os trabalhadores no estado de Minas Gerais e usado um contêiner com cerca de 2,40 metros de largura por 6 metros de comprimento para o alojamento. Além disso, os sanitários próximos não apresentavam condições de uso.
Outro ponto é que os trabalhadores não tinham um espaço adequado para comer e sentavam ao chão sob a sombra do ônibus responsável por levá-los até a lavoura.
Ainda conforme o Repórter Brasil, o grupo era proibido de sair da propriedade ou de ficar longe do contêiner e eram viagiados por um segurança da propriedade, que é cercada por arames farpados e grades. Os trabalhadores só poderiam receber os valores da passagem de volta caso cumprissem 45 dias de trabalho.
Os fiscais ainda constataram que no mesmo local de atuação dos trabalhadores, havia pulverização áerea de agrotóxicos.
O fazendeiro ainda pode recorrer das autuações em duas instâncias, mas caso sejam confirmadas, o produtor será incluído na Lista Suja do trabalho escravo, em que o nome de empresas e dados de pessoas jurídicas ficam públicos devido a prática criminosa.
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