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Justiça Domingo, 26 de Julho de 2026, 16:30 - A | A

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EXCLUSIVO

Professor afastado da UFMT é suspeito de assédio contra caloura

A estudante procurou a Justiça e obteve medida protetiva contra o professor. O mesmo docente foi condenado recentemente por stalking contra a E companheira

RAYNNA NICOLAS
Da Redação

HNT

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O professor de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Saulo Tarso Rodrigues, foi afastado provisoriamente das salas de aula depois de ser denunciado por assédio contra uma aluna do primeiro ano do curso. A estudante narra uma sequência de abordagens que, segundo documentos obtidos com exclusividade pelo HNT, continuaram mesmo após a jovem manifestar desconforto e cortar o contato com o professor.

As conversas mostram que Saulo fazia sucessivos convites para encontrar a aluna fora da universidade. Em uma das mensagens, afirma que gostaria de comemorar as conquistas acadêmicas da jovem. Em outra, diz que “faz questão” de levá-la e buscá-la em uma atividade do curso realizada fora da UFMT.

O professor também comenta a aparência da estudante, diz que ela fica bem de vermelho e demonstra repetidas vezes interesse em continuar “trabalhando” com ela em projetos acadêmicos.

A jovem chegou a dizer diretamente ao docente que estava desconfortável com a situação. O episódio que levou a estudante a procurar a polícia ocorreu quando a mãe de Saulo entrou em contato com ela para tentar intermediar uma conversa entre os dois.

Depois disso, a aluna decidiu cortar o contato com o professor, bloqueou-o no WhatsApp e deixou de frequentar as aulas. As tentativas de aproximação, porém, continuaram.

Sem acesso à jovem pelo aplicativo, Saulo passou a perguntar por ela a outros alunos do curso. Depois, procurou a estudante pelo Instagram. Foi bloqueado novamente e passou a enviar mensagens de texto para o telefone dela.

A estudante pediu uma medida protetiva à Justiça, que foi concedida. A decisão levou ao afastamento provisório de Saulo das salas de aula. O caso também tramita administrativamente na UFMT. Ao analisar o pedido, o juiz Marcos Terencio Agostinho Pires, do Plantão Criminal de Cuiabá, concluiu que o caso não se enquadrava na Lei Maria da Penha porque não havia vínculo doméstico, familiar ou relação íntima de afeto entre o professor e a estudante.

O magistrado considerou que a relação existente entre os envolvidos era de natureza acadêmica e profissional. Ressaltou, porém, que o teor do relato indicava possível ameaça ou risco à integridade da jovem e à convivência pacífica. Diante disso, o juiz determinou a aplicação imediata de medidas cautelares previstas no Código de Processo Penal.

Saulo foi proibido de se aproximar da estudante, de seus familiares e de testemunhas, devendo manter distância mínima de 500 metros. O professor também não poderá entrar em contato com a aluna por telefone, mensagens, redes sociais ou qualquer outro meio de comunicação. A decisão ainda impede que o docente frequente a residência da jovem e o eventual local de trabalho dela.

 

CONDENADO POR PERSEGUIR EX

O afastamento ocorre no mesmo período em que Saulo enfrenta outro caso envolvendo perseguição. Na segunda-feira (21), o professor foi condenado pelo crime de stalking contra a ex-companheira.

De acordo com denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), entre setembro e outubro de 2022, Saulo enviou repetidos e-mails à mulher, mesmo sem que ela demonstrasse interesse em manter contato.

Segundo o processo, as mensagens cobravam encontros presenciais e tinham teor intimidatório. O professor também fazia referências aos horários de trabalho da ex-companheira e enviava questionamentos que, conforme a sentença, provocaram medo e abalo emocional na vítima.

A Justiça concluiu que a conduta ultrapassou uma tentativa de reaproximação e configurou o crime de perseguição previsto no Código Penal.

LEIA MAIS: Reitora da UFMT afasta professor condenado por stalking contra ex-mulher

CONFIRA:

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