Talvez, para muitos, paz seja imaginar um lugar silencioso, distante dos problemas, onde nada incomoda, nada dói e nenhuma preocupação consegue chegar. Um lugar onde a vida finalmente desacelera e tudo permanece sob controle.
Mas será que isso é realmente paz?
Porque, se a nossa tranquilidade depender de tudo estar bem ao nosso redor, estaremos sempre à mercê das circunstâncias. Basta um problema surgir, uma notícia mudar nossos planos, alguém nos decepcionar ou uma dificuldade aparecer para que aquilo que chamávamos de paz desapareça.
A verdadeira paz talvez seja algo muito mais profundo.
Paz não é ausência de tempestades. É aprender a permanecer inteiro enquanto elas acontecem.
É ter problemas e, ainda assim, não perder a esperança.
É sentir medo, mas não permitir que ele conduza nossas escolhas.
É atravessar dias difíceis sem deixar que eles definam quem somos.
É compreender que nem tudo estará sob nosso controle — e encontrar serenidade justamente naquilo que precisamos aprender a entregar.
Há uma força silenciosa em quem consegue permanecer em equilíbrio mesmo quando a vida ao redor está desorganizada.
Não porque essa pessoa não sofra.
Ela sofre. Chora. Se decepciona. Cansa. Tem dúvidas.
Mas existe dentro dela algo que não depende completamente do mundo exterior: uma confiança de que, mesmo sem entender o caminho inteiro, continuará caminhando.
Talvez seja essa a diferença entre tranquilidade e paz.
A tranquilidade depende do ambiente.
A paz nasce dentro.
Por isso, podemos estar em um lugar silencioso e ainda carregar uma guerra dentro de nós. E podemos estar atravessando uma fase difícil, cercados de incertezas, e mesmo assim sentir uma serenidade que não sabemos explicar.
A paz profunda não exige que a vida seja perfeita. Ela nos ensina a não exigir perfeição da vida para conseguirmos ficar bem.
É aceitar que algumas perguntas permanecerão sem resposta por algum tempo. Que algumas perdas não terão explicação. Que algumas portas permanecerão fechadas. Que algumas pessoas irão embora. Que certos caminhos precisarão ser reconstruídos.
E, ainda assim, respirar fundo e dizer:
“Eu não tenho controle sobre tudo o que acontece, mas posso escolher como atravessarei aquilo que acontece comigo.”
Talvez a paz seja isso: não controlar o mar, mas aprender a navegar.
Não impedir o vento, mas fortalecer as raízes.
Não esperar que a vida fique em silêncio para finalmente ouvir a própria alma.
Porque, quando encontramos paz dentro de nós, o mundo não precisa necessariamente mudar para que consigamos respirar melhor.
A verdadeira paz não é quando a vida deixa de fazer barulho. É quando, mesmo em meio ao barulho, encontramos dentro de nós um lugar onde o coração consegue permanecer em silêncio.
(*) SUELY FERNANDES é servidora pública e autora de textos de reflexão sobre autoconhecimento, valores e espiritualidade.
Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br
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