A palavra “não” muitas vezes faz parte de uma decisão final. Uma aceitação, um recomeço, um relacionamento ou uma aquisição podem jamais se concretizar por causa de um simples “não”.
Por isso, devemos ter muito cuidado ao pronunciá-lo. Além de interromper um caminho, o “não” pode impor a possibilidade de não agir, de fugir da tentativa ou de deixar de falar aquilo que deveria ser dito, simplesmente porque acreditamos que ainda não seria o momento certo.
Mas fica a pergunta: qual seria o momento certo para dizer um triste “não” ou um alegre “sim”?
Todos os dias, quando o sol nasce, também renascem momentos repletos de possibilidades. A cada amanhecer recebemos novas oportunidades para desfazer, reconstruir e transformar aquilo que pode mudar nossas vidas. Entretanto, ao final do dia chegam as cobranças pelas indecisões que interromperam as últimas vinte e quatro horas de possíveis momentos felizes ou infelizes.
Mudar tudo de uma só vez pode até causar insegurança e desconforto. Dizer “não” ou “sim” também não é tão fácil assim. Muitas pessoas acordam decididas a mudar tudo, dar um novo rumo à própria vida e fazer diferente. Porém, sempre existe alguma coisa que as faz retroceder.
São conflitos alimentados por decisões passadas, acontecimentos que deixaram marcas, pensamentos que ainda interferem nas escolhas e frustrações que estabelecem receios diante dos novos passos. E assim, algumas pessoas passam a andar em círculos ou permitem que outras assumam as rédeas de suas vidas.
Existem pessoas que, apesar de terem consciência de que estão desperdiçando o próprio tempo, ao analisarem o dia no final da noite continuam agindo como se a vida fosse eterna, deixando o tempo passar como se sempre houvesse uma segunda oportunidade.
Mas é importante compreender que os momentos que passam vão embora, e ninguém possui o poder de voltar no tempo.
Não adianta viver procurando inimigos constantemente, pois muitas vezes somos nós mesmos que colocamos pedras e acumulamos verdadeiros montes de lixo moral e espiritual em nossos próprios caminhos.
E, entre tantas coisas ruins que acumulamos ao longo da vida, talvez uma das mais perigosas seja justamente a insegurança acompanhada da incerteza.
Às vezes queremos tudo ao mesmo tempo. Outras vezes ficamos em dúvida se o caminho que estamos percorrendo é realmente o certo. É então que surge a insegurança, transformando-se em nosso principal inimigo invisível.
Começamos a pensar: “É melhor desistir do que seguir em frente.”
E essa incerteza, quando domina nossas decisões, pode nos conduzir ao fracasso antes mesmo de tentarmos alcançar aquilo que desejamos.
Algumas pessoas preferem viver apenas as doçuras das folgas constantes, em vez de enfrentar as tarefas difíceis necessárias para alcançar seus objetivos. Outras preferem permanecer estacionadas na chamada zona de conforto, esperando por milagres, simplesmente porque acreditam que mudar é desconfortável e que novos caminhos podem trazer dores.
Entretanto, precisamos compreender que muitas vezes o nosso sucesso depende das nossas próprias atitudes.
Os milagres que esperamos também podem ser construídos por nossas mãos, através da coragem, da persistência, do trabalho e da decisão de não desistir.
Enfim, a vida exige iniciativa.
É verdade que algumas pessoas necessitam de estímulos externos, de uma palavra amiga, de uma orientação ou até mesmo de uma mão estendida para ajudá-las a reencontrar o caminho. Mas ninguém pode viver eternamente apoiado em bengalas sociais ou esperando que outras pessoas façam por nós aquilo que somente nós podemos realizar.
Precisamos construir nossos próprios milagres pessoais.
A vida passa. As oportunidades passam. Os momentos não ficam esperando por nós na esquina da existência.
Por isso, precisamos aprender a dizer “sim” quando a vida nos oferece uma oportunidade de recomeçar, e saber dizer “não” quando aquilo que nos impede de crescer precisa ser deixado para trás.
Talvez o momento certo nunca seja perfeito. Talvez sempre exista algum medo, alguma dúvida ou alguma insegurança.
Mas a vida não espera pela certeza absoluta.
Às vezes, é preciso caminhar mesmo com medo, decidir mesmo com dúvidas e tentar mesmo sem saber exatamente aonde chegaremos.
Porque, quando acordarmos verdadeiramente para a vida, poderemos descobrir que aquilo que mais lamentamos não foram os erros que cometemos, mas as oportunidades que deixamos passar por medo de dizer um alegre: SIM.
(*) WILSON CARLOS FUÁH é escritor, radialista, cronista e observador atento da vida política e social de Mato Grosso, é graduado em Ciências Econômica Fale com o Autor: [email protected]
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