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Saúde e Bem-estar Quinta-feira, 03 de Setembro de 2026, 09:21 - A | A

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Quinta-feira, 03 de Setembro de 2026, 09h:21 - A | A

CAMPANHA SETEMBRO VERDE

Após receber rim da mãe, engenheiro agrônomo celebra 32 anos com nova perspectiva de vida

Transplante permitiu que paciente deixasse a rotina da hemodiálise; história reforça importância da doação de órgãos durante o Setembro Verde

REDAÇÃO

REPRODUÇÃO

Imagem Ilustrativa

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No próximo dia 7 de setembro, o engenheiro agrônomo Felipe Henz Slovinski completa 32 anos. Desta vez, porém, a data terá um significado especial.
Será o primeiro aniversário depois de receber da própria mãe o rim que lhe permitiu deixar a rotina da hemodiálise e iniciar uma nova etapa da vida.

A história com a doença renal começou em 2017, quando, em decorrência de uma glomerulonefrite, precisou retirar o rim esquerdo, que havia atrofiado. O tratamento conservador seguiu até novembro de 2025, quando o outro órgão também perdeu a função e a hemodiálise passou a fazer parte da rotina.

Em março deste ano, ele chegou ao Hospital São Mateus, em Cuiabá, para a primeira consulta, acompanhado da mãe, única pessoa compatível da família para a doação. A unidade é atualmente a única credenciada em Mato Grosso para realizar transplantes renais com doadores vivos e falecidos.

Moradora do Paraná, a mãe precisou viajar duas vezes a Mato Grosso para consultas e exames. Na terceira, veio para a cirurgia, realizada em 20 de junho. Atualmente, o paciente passa por acompanhamento pós-operatório, com consultas e exames quinzenais.

“Se não fosse minha mãe doar para mim, quanto tempo eu teria que ficar na fila até encontrar alguém compatível? Sou grato a Deus e a ela por ter se disponibilizado a doar”, conta.

Uma decisão que transforma vidas

A experiência do transplante fez com que a doação de órgãos ganhasse um novo significado para Felipe, engenheiro agrônomo de uma multinacional. Em pleno Setembro Verde, campanha voltada à conscientização sobre o tema, ele passou a defender que outras famílias também discutam a importância desse gesto.

“Isso vale também para as famílias que têm seus entes queridos em processo de morte encefálica. É importante se conscientizar sobre a doação de órgãos, para que o ciclo da vida possa continuar em outra pessoa”, reforça.

Esse diálogo dentro de casa é considerado fundamental pela cirurgiã da equipe de transplante renal e responsável pela captação de órgãos do hospital, Michelli Daltro Coelho Ridolfi. No Brasil, a doação após a morte depende da autorização da família, e a recusa ainda está entre os principais obstáculos para ampliar o número de transplantes.

“O Setembro Verde é fundamental porque leva essa discussão para fora dos hospitais, ajuda a esclarecer dúvidas, combater mitos e, principalmente, estimular o diálogo dentro das famílias. Todos nós podemos ajudar a construir uma cultura de doação”, explica a cirurgiã.

Como a decisão ocorre em um momento de dor e grande vulnerabilidade emocional, manifestar previamente o desejo de ser doador pode fazer diferença para os familiares responsáveis pela autorização.

“Quando a família já conhece a vontade daquela pessoa, não precisa tentar adivinhar o que ela desejaria. A decisão tende a se tornar mais segura e serena”, acrescenta.

Uma nova rotina

Se a conscientização pode ampliar as oportunidades para quem espera por um órgão, a trajetória do paciente mostra o impacto que o transplante pode ter na vida de quem convive com uma doença renal avançada. Para aqueles que dependem da hemodiálise, receber um rim pode representar mais autonomia e mudanças importantes na vida profissional, social e familiar.

No caso de Felipe, as sessões de hemodiálise ficaram para trás, mas os cuidados continuam. O transplante exige acompanhamento médico permanente e uso de medicamentos imunossupressores para reduzir o risco de rejeição. Atualmente, ele realiza consultas e exames quinzenais para acompanhar a evolução após a cirurgia.

A nova rotina contrasta com a vivida poucos meses atrás. Depois de depender da hemodiálise, ele agora atravessa uma fase marcada pelo acompanhamento do transplante e pela retomada gradual das atividades do dia a dia.

Para a cirurgiã, histórias como essa ajudam a traduzir a dimensão humana de um processo capaz de transformar a trajetória de quem recebe a oportunidade de um transplante.

“A doação não apaga a dor da perda, mas permite que, a partir dela, outras histórias possam continuar. É uma das manifestações mais concretas de solidariedade que existem”, finaliza Michelli Daltro Coelho Ridolfi.

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