O aleitamento materno é um importante fator protetor na prevenção do câncer de mama. Estima-se que o risco de desenvolver a doença diminua entre 4,3% e 6% a cada 12 meses de duração da amamentação, conforme dados divulgados pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Segundo o médico mastologista e cirurgião oncológico Dr. Wilson Garcia, manter a amamentação por até dois anos pode ampliar ainda mais essa proteção. "Estamos no mês da campanha Agosto Dourado, que incentiva o aleitamento materno. É fundamental levar essa informação às mulheres de que amamentar traz benefícios tanto para os bebês, que crescem mais saudáveis e protegidos de diversas doenças, quanto para as mães, que ganham um aliado a mais contra o câncer de mama", destaca o médico.
O especialista explica que, durante a lactação, os níveis de hormônios que favorecem o desenvolvimento do câncer de mama caem significativamente. Além disso, o processo estimula a renovação das células mamárias, ajudando a eliminar aquelas que poderiam apresentar alterações genéticas. Ocorre também o processo final de diferenciação do tecido mamário - sua maturação - tornando as células, a partir deste momento, menos susceptíveis aos agentes cancerígenos. Outro fator é que durante a lactação a maioria das mulheres não menstruam e a diminuição dos ciclos adulatórios durante sua vida diminuem os riscos de aparecer o câncer.
"Por outro lado as mulheres que nunca amamentaram um bebe ou o fizeram a partir dos 30 anos de idade, simplesmente têm o dobro de risco de desenvolverem o câncer de mama. Com isso fica muito claro o tamanho do beneficio contra o câncer daquelas que amamentaram e o dobro do risco daquelas que não passaram por esta oportunidade", alerta o especialista.
Evitamos quase 20 mil mortes por câncer de mama ao ano, no mundo graças ao aleitamento
A amamentação também auxilia na recuperação do organismo pós-parto, na perda de peso e na redução do risco de depressão pós-parto. "A Sociedade Brasileira de Mastologia reconhece esse papel preventivo. Evitamos quase 20 mil mortes por câncer de mama ao ano, no mundo graças ao aleitamento. Imagine quantas vidas mais poderiam ser salvas com o aumento das taxas de amamentação", pontua Garcia.
Amamentação causa flacidez? A ideia de que amamentar altera a estética dos seios é classificada pelo especialista como um mito alimentado pela falta de informação.
"A amamentação em si não causa flacidez. Estudos mostram que a perda de firmeza ocorre devido às mudanças hormonais e ao estiramento da pele durante a gravidez, além de fatores como genética, idade, variações bruscas de peso e tabagismo", esclarece o mastologista.
Proteção para o bebê - Para a criança, o leite materno é o único alimento necessário nos primeiros seis meses de vida, dispensando inclusive a ingestão de água. Ele é uma fonte rica de nutrientes e anticorpos essenciais para o desenvolvimento. Além disso, pesquisas recentes mostram que o aleitamento materno protege o indivíduo contra o sobrepeso e a obesidade desde a infância até a vida adulta.
"Isso ocorre porque a leptina, um hormônio presente no leite materno, ajuda a regular o metabolismo energético, ou seja, a forma como o corpo do bebê transforma os alimentos em energia e a armazena. Dessa forma, a amamentação previne o ganho de peso excessivo no futuro e protege mães e filhos", explica Dr Wilson Garcia.
Outro beneficio é no sistema imunológico do bebe. Crianças que recebem o leite materno possuem um sistema imunológico mais vígil e equilibrado e, portanto, adoecem menos durante a vida. "Existe um beneficio maravilhoso que poucos falam, que ocorre nos aspectos emocionais do bebê. Eles se tornam crianças afetivamente mais seguras e equilibradas com ganhos de equilíbrio emocional e mental por toda a vida. Por isso os órgãos de saúde recomendam o aleitamento exclusivo até os seis meses de idade e mantido, de forma complementar, até os dois anos ou mais", explica.
Prevenção ainda é o melhor remédio - O especialista faz questão de pontuar que, embora a amamentação seja um forte fator protetor, ela não previne o câncer de mama em 100% dos casos. Por isso, a realização de exames periódicos de rastreamento como a mamografia e o acompanhamento de fatores de risco genéticos seguem sendo indispensáveis.
"Além disso, a adoção de hábitos saudáveis, como manter uma alimentação equilibrada e praticar atividades físicas regularmente, pode reduzir a incidência do câncer de mama em até 35%, reforçamos que a prevenção é um conjunto de atitudes diárias", finaliza Garcia.
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