O candidato a deputado estadual Ulysses Moraes (Podemos) e o candidato a deputado federal Léo Rondon (PT) protagonizaram um bate-boca em frente à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), na manhã desta sexta-feira (21). A movimentação de campanha acabou marcada por acusações, provocações e divergências sobre temas locais e nacionais
O desentendimento começou quando Ulysses Moraes se dirigiu ao operador de um carro de som que reproduzia o jingle da campanha de Léo Rondon. A abordagem rapidamente evoluiu para um confronto verbal entre os dois candidatos, que passaram a trocar críticas sobre trajetórias políticas, condutas administrativas e pautas de costumes.
Rondon fez duras críticas à atuação do ex-deputado e questionou sua produtividade enquanto parlamentar, além de mencionar sua passagem por cargos comissionados na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Em tom de provocação, o petista ironizou a situação funcional do adversário.
“Eu não sou médium para ouvir funcionário fantasma não”, afirmou Rondon, antes de questionar a atuação legislativa de Moraes: “Você foi deputado estadual. O que você aprovou? Deputado fantasma”.
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A provocação remete a uma polêmica que envolveu Ulysses Moraes no início de 2023, quando veio a público que ele ocupava o cargo de superintendente de controle interno de fiscalização, finanças e contratos da ALMT, com salário bruto mensal de R$ 18,3 mil.
A permanência de Moraes na folha de pagamento foi questionada após a divulgação de que ele viajava com frequência para fora de Mato Grosso para produzir conteúdos destinados às redes sociais. Na época, a Assembleia Legislativa informou que, por se tratar de uma função de liderança, o cargo dispensava o registro de ponto e permitia o trabalho remoto, mas a repercussão do caso levou o ex-deputado a pedir exoneração.
Durante o bate-boca, as críticas sobre assiduidade e atuação parlamentar deram lugar a uma disputa ideológica. Ulysses Moraes passou a questionar o posicionamento de Léo Rondon sobre o aborto e acusou o grupo político do adversário de defender estupradores, enquanto Rondon sustentou a legislação brasileira vigente e o direito das mulheres.
O petista também rebateu Moraes com críticas à condução da política de vacinação durante a pandemia de covid-19 e questionou o número de mortes registradas durante a crise sanitária no período em que o adversário exercia mandato de deputado estadual. Moraes, por sua vez, tentou interromper as falas de Rondon e repetiu diversas vezes para que ele “parasse”.
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PERFIL DOS CANDIDATOS
O confronto em frente à UFMT colocou frente a frente dois candidatos de campos políticos distintos e expôs a forte polarização que acompanha a disputa eleitoral em Mato Grosso. Ulysses Moraes é ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), mantém forte presença nas redes sociais, com mais de 800 mil seguidores, e utiliza plataformas digitais como uma das principais ferramentas de comunicação política, frequentemente abordando pautas morais e temas de grande repercussão.
Moraes também já protagonizou outros episódios de confronto público. Em janeiro deste ano, um vídeo divulgado nas redes sociais mostrou o ex-parlamentar discutindo com um morador em Balneário Camboriú (SC). Durante o episódio, o homem chegou a erguer uma barra de ferro após uma discussão envolvendo figuras políticas.
Moraes também já foi alvo de contestações judiciais em Cuiabá relacionadas à exposição de cidadãos em conteúdos publicados em suas redes sociais. Na atual eleição, ele tenta retornar à Assembleia Legislativa de Mato Grosso pelo Podemos.
Léo Rondon, por outro lado, disputa uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e defende pautas tradicionalmente associadas à esquerda, como a manutenção das regras atuais sobre o aborto legal, além de fazer críticas à condução do governo federal anterior e às investigações relacionadas à aquisição de vacinas durante a pandemia.
O confronto terminou sem agressões físicas, mas a troca de acusações em frente à UFMT evidenciou o ambiente de forte polarização que acompanha a disputa eleitoral em Mato Grosso.
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