A candidata ao Governo de Mato Grosso Natasha Slhessarenko (PSD) classificou como “inadmissível” e “surreal” o discurso do candidato ao Senado Antônio Galvan (Avante) sobre feminicídio. Em coletiva nesta quinta-feira (20), a médica criticou a tentativa de atribuir as mortes de mulheres à “desestruturação familiar, principalmente econômica” e a contestação de Galvan à necessidade de uma legislação específica para combater a violência de gênero.
Para Natasha, a relativização dos crimes de gênero ignora as estatísticas alarmantes do estado, que lidera rankings nacionais de violência doméstica, e desconsidera a motivação específica dos assassinatos de mulheres.
“Eu fico muito incrédula de que tenham pessoas que acham que o feminicídio não está acontecendo, que morte de homem e de mulher é a mesma coisa. As mulheres estão sendo mortas apenas pelo simples fato de serem mulheres. São 31 mulheres só este ano no nosso Estado. Na semana passada foram quatro. São 500 órfãos do feminicídio espalhados no nosso Estado”, disparou a candidata.
Ao rebater a premissa de que a legislação protetiva e as penas rigorosas seriam ineficazes, a candidata ao governo defendeu que a violência de gênero é um fato mensurável que não admite negação ou argumentos retóricos que minimizem a gravidade do problema.
“É inadmissível imaginar que alguém fale que não existe feminicídio no Estado, que vem aí nos últimos anos batendo recorde de 2,7 mortes de mulheres para cada 100 mil habitantes. É surreal imaginar isso, porque contra fato não tem argumento. As mulheres estão morrendo, as crianças estão ficando órfãs, pelo simples fato de serem mulheres. Eu nunca vi alguém matar e é muito raro a gente ver um homem que foi assassinado, que foi morto, pelo fato de ser homem”, concluiu Natasha.
A problemática apontada pela médica é respaldada por levantamentos oficiais da segurança pública que evidenciam o tamanho da crise no estado. Conforme dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, Mato Grosso registrou 53 mortes de mulheres por razões de gênero em 2025 e detém a terceira maior taxa de feminicídios do país, com a marca de 2,7 casos por 100 mil habitantes.
Na última semana, a realidade estatística se traduziu em uma sequência de crimes de gênero bárbaros. No sábado (15), em Cuiabá, Ana Cristina Pacheco Matos, de 20 anos, foi assassinada a tiros pelo companheiro na frente de seu filho de apenas 3 anos. No domingo (16), em Sorriso, a ex-candidata a vereadora Janaíne de Oliveira foi esfaqueada e golpeada na cabeça com um pedaço de madeira pelo marido.
No dia seguinte, segunda-feira (17), em Nova Mutum, uma mulher de 32 anos sobreviveu após ser esfaqueada mais de 15 vezes pelo ex-companheiro, que violou medidas protetivas de urgência e usava tornozeleira eletrônica no momento da agressão.
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