Em meio ao avanço dos feminicídios em Mato Grosso, o candidato ao Senado Antônio Galvan (Avante) questionou nesta quarta-feira (19) a necessidade de diferenciar, na legislação, a morte de mulheres da de homens. Durante coletiva de imprensa, ele comparou leis específicas de proteção às mulheres ao sistema de cotas e perguntou se o endurecimento das penas para feminicídio “resolveu” o problema.
“O que eu posso falar sobre esse assunto é que quando se diferencia leis é igual às cotas. Quem concorda com cota aqui? O que está acontecendo na realidade hoje é que estão atacando o problema, mas não a causa”, afirmou.
Galvan defendeu que o combate à violência deveria partir da investigação das condições econômicas e familiares dos envolvidos. Segundo ele, a “desestruturação familiar, principalmente econômica” estaria entre as causas dos crimes.
“Onde está a causa? Alguém foi ao lar dessa família para saber como é que eles estavam vivendo?”, questionou.
A declaração ocorre em um estado que registrou 31 feminicídios entre janeiro e agosto de 2026. Em 2025, foram 53 mortes de mulheres em razão do gênero. Mato Grosso tem a terceira maior taxa de feminicídios do país, com 2,7 casos por 100 mil habitantes.
O cenário também inclui o aumento de 38,7% nas tentativas de feminicídio, que chegaram a 12,5 casos por 100 mil habitantes, três vezes a média nacional, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
“A morte de uma mulher não é diferente”
Ao defender sua posição, Galvan afirmou que a morte de uma mulher não deveria receber tratamento jurídico diferente da morte de um homem.
“Não concordo porque a morte de uma mulher não é diferente da morte de um homem. Nós somos seres humanos. Toda lei que prevalece de um lado, ela não funciona e nunca funcionou e não vai funcionar”, disse.
O candidato também questionou a eficácia do endurecimento das penas para o feminicídio, que atualmente prevê reclusão de 20 a 40 anos.
“Não endureceram mais as penas em relação ao feminicídio? Resolveu?”, questionou.
Galvan ainda afirmou que os crimes seriam consequência de conflitos que se desenvolvem dentro das famílias e citou homens mortos por mulheres ao criticar a ênfase dada aos feminicídios.
“É o desagregamento de dentro de casa. Você tem que buscar para saber o que está acontecendo com aquela família. […] Eu não vejo dar tanta ênfase nisso também, com o inverso”, afirmou.
As declarações foram dadas após uma sequência de casos graves de violência contra mulheres em Mato Grosso.
No sábado (15), em Cuiabá, Ana Cristina Pacheco Matos, de 20 anos, foi assassinada a tiros pelo companheiro na frente do filho de 3 anos após uma discussão.
No domingo (16), em Sorriso, a ex-candidata a vereadora Janaíne de Oliveira foi esfaqueada e golpeada na cabeça com um pedaço de madeira pelo marido.
Já na segunda-feira (17), em Nova Mutum, uma mulher de 32 anos foi esfaqueada mais de 15 vezes pelo ex-companheiro, que descumpria medidas protetivas e usava tornozeleira eletrônica no momento do ataque.
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