Sábado, 05 de Setembro de 2026
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

00:00:00

image
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png

00:00:00

image
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

Artigos Sexta-feira, 04 de Setembro de 2026, 09:07 - A | A

facebook instagram twitter youtube whatsapp

Sexta-feira, 04 de Setembro de 2026, 09h:07 - A | A

NAIME MORAES

O coronelismo 2.0: o cabresto no século XXI?

NAIME MÁRCIO MARTINS MORAES

Reprodução

naime moraes

Dizem que o voto de cabresto morreu. Morreu? Talvez apenas tenha trocado de roupa.

Na República Velha, o coronel controlava o eleitor pela força. O voto era aberto, o chicote era visível e a ameaça era direta. Quem contrariava o dono do poder podia perder a terra, o emprego, a proteção ou, em muitos casos, a própria segurança.

Era um cabresto grosseiro, sem maquiagem. Hoje, vivemos na era da tecnologia, da inteligência artificial, das redes sociais, das campanhas milionárias e dos discursos sobre democracia. O voto é secreto, as urnas são eletrônicas e a legislação eleitoral é infinitamente mais rígida.

Mas será que o cabresto desapareceu? Ou apenas se sofisticou? O que são o bolsa família, vale gás, emendas parlamentares e outros benefícios?

A violência física deu lugar a mecanismos muito mais eficientes: dependência econômica, favores políticos, cargos distribuídos, promessas de empregos, benefícios temporários, pressão de grupos organizados, influência de lideranças locais, cabos eleitorais profissionais e uma máquina pública que, em muitos lugares, parece nunca desligar.

Alguns eleitores ainda são ameaçados de forma “velada” pela máquina pública através dos cargos comissionados, outros basta ser convencido de que depende eternamente daquele político. O favor recebido transforma-se numa dívida moral que nunca prescreve e tem também os que quando veem um político já abanam o rabo pela cultura de maus constumes.

"O vereador Fulano conseguiu minha consulta." "O deputado ajudou meu sobrinho." "O prefeito arrumou meu bairro." Como se o dinheiro fosse deles. Como se serviços públicos fossem presentes pessoais. Como se cumprir a obrigação constitucional fosse um ato de generosidade.

Enquanto isso, o cidadão esquece uma pergunta simples: Quem pagou essa conta? A resposta é desconfortável. Foi o próprio contribuinte.

Talvez a maior prova de que o cabresto continua vivo esteja nas árvores genealógicas da política brasileira, onde o poder frequentemente passa de pai para filho, de mãe para filha, de marido para esposa, de irmão para irmão, de tio para sobrinho e de sogro para genro, e até para neto. Em meio a sobrenomes que se repetem há décadas nos cargos públicos, fica a pergunta: nesta eleição, você vai escolher um projeto para o futuro ou apenas mais um integrante da mesma família? Afinal, a árvore genealógica do poder continua crescendo — e a pergunta é: quem da família você vai eleger hoje?

Em muitos estados brasileiros, a política virou um verdadeiro negócio de família. Aqui em Mato Grosso, por exemplo, o marido empurra a esposa para outro cargo, e você pode até votar nele para uma função e nela para outra, tudo na mesma eleição. Conveniente, não? Faça uma família feliz! Enquanto isso, o eleitor reclama que a política nunca muda, murmura, diz que está cansado das mesmas figuras, mas, continua renovando o contrato das mesmas famílias há décadas. Após décadas assistindo às mesmas famílias no poder, fica claro que o problema não é só quem concorre, mas também quem continua votando no mesmo enredo.

O problema também pode estar no eleitor que não percebe a manipulação do político sagaz, no eleitor amestrado, no apaixonado que defende seu candidato a qualquer custo e naquele que, sem pensar no futuro coletivo, enxerga apenas o próprio umbigo. Há ainda quem veja a eleição como uma oportunidade para “se dar bem”, colocando interesses pessoais acima do bem comum. No fim, a política também se alimenta da falta de consciência, de informação e de responsabilidade de quem escolhe.

A renovação, então, vira estatística. Bonita no discurso. Pequena nas urnas. O próprio eleitor faz questão de manter tudo exatamente como está. Talvez por medo de ser feliz, já está acostumado a apanhar.

Talvez por comodismo. Talvez por acreditar que um pequeno favor recebido vale mais do que quatro anos de boa administração.

O resultado aparece eleição após eleição. Os nomes mudam pouco. Os grupos permanecem. As famílias continuam. Os problemas também.

É claro que existem exceções. Há políticos sérios, eleitos pelo mérito. Generalizações não fazem justiça à realidade. Mas também seria ingenuidade ignorar que a perpetuação de grupos familiares e estruturas tradicionais continua sendo uma característica marcante da política brasileira em muitos lugares.

O cabresto moderno não prende pelo pescoço. Prende pela dependência. Pela gratidão mal compreendida. Pelo medo da mudança. Pela sensação de que "sempre foi assim".

Assista às próximas gerações herdarem a porcaria de país que você ajudou a construir. Mas, se ainda existe coragem, faça diferente. Vote por convicção. Exija competência.

Fiscalize quem foi eleito. Pare de tratar direitos como favores. Caso contrário... Há um favor a lhe pedir:

Cale-se! Porque quem se recusa a mudar não pode reclamar das consequências da própria escolha. ACORDA POVO!

(*) NAIME MÁRCIO MARTINS MORAES é advogado e professor universitário.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.

Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.

Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM  e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.

Comente esta notícia

Algo errado nesta matéria ?

Use este espaço apenas para a comunicação de erros