Quando penso em coquetelaria, não vejo apenas um acompanhamento. Um bom coquetel pode fazer parte da experiência gastronômica e, quando existe uma harmonização bem construída, potencializar os sabores do prato e criar uma experiência muito mais interessante para quem está à mesa.
Acredito que o segredo esteja no equilíbrio entre aromas, sabores e texturas. Algumas combinações são naturalmente mais intensas, como carnes grelhadas, cortes bovinos, massas com molhos cremosos, risotos de cogumelos, queijos maturados e tábuas de frios, que podem encontrar nos coquetéis de maior complexidade aromática um acompanhamento à altura.
Mas a harmonização também pode seguir por caminhos mais leves. Preparações à base de peixes e frutos do mar, por exemplo, combinam muito bem com coquetéis cítricos e refrescantes. Saladas que levam frutas frescas também podem ganhar uma nova dimensão quando acompanhadas por bebidas que tragam acidez, frescor e elementos aromáticos capazes de valorizar os ingredientes.
As sobremesas são outro território que permite muitas possibilidades.
Chocolates amargos, tortas de frutas, doces à base de castanhas e sobremesas caramelizadas podem ser acompanhados por coquetéis que apresentem frutas maduras, ervas e notas mais marcantes.
Nesses casos, a bebida não precisa competir com a sobremesa, mas criar uma continuidade de sabores e proporcionar um encerramento mais sofisticado para a refeição.
Esse olhar para a harmonização também está presente no trabalho que desenvolvemos na Malibu Bar. Estamos há nove anos em Mato Grosso levando a coquetelaria para diferentes formatos de eventos e ocasiões, com uma carta composta por quatro categorias e 34 coquetéis, desenvolvidos para diferentes perfis de consumidores.
Entre essas categorias está a de Biomas Brasileiros, uma coleção inspirada em riquezas naturais como o Pantanal e o Cerrado.
É uma proposta que considero especialmente importante porque aproxima a coquetelaria da nossa identidade, valorizando ingredientes regionais e transformando referências da biodiversidade brasileira em combinações autorais.
Essa brasilidade também cria possibilidades muito interessantes à mesa.
Ingredientes que remetem ao Cerrado podem dialogar com carnes, queijos artesanais e preparações defumadas.
Já as referências do Pantanal podem encontrar equilíbrio em peixes, frutos do mar e receitas que valorizam ingredientes frescos.
Mais do que escolher uma bebida para acompanhar determinado prato, acredito que harmonizar é criar uma experiência. É observar a intensidade de cada elemento, entender seus aromas, suas características e encontrar uma combinação que desperte novas sensações.
No fim, é isso que torna a coquetelaria tão especial. Uma refeição pode ser deliciosa, mas quando bebida e gastronomia conversam entre si, ela pode se transformar em uma lembrança.
Em uma comemoração, em um evento corporativo ou simplesmente em um encontro entre amigos, a escolha cuidadosa das combinações torna a experiência mais completa, sofisticada e
memorável.
(*) ESTÊNIO MUNIZ é especialista em coquetéis e franqueado da Malibu Bar em Mato Grosso.
Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br
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