O mês de setembro chega para nos lembrar, acima de tudo, sobre o valor da vida e a importância do acolhimento. Quando olhamos para a rotina do sistema prisional — não só em Mato Grosso, mas em cada canto do Brasil —, enxergamos de longe aquela estrutura pesada e o dia a dia duro. Só que, quando olhamos de perto, o que vemos de verdade são vidas humanas: homens e mulheres dedicados que, todos os dias, doam sua energia e coragem para manter a ordem e a segurança da nossa sociedade.
Os riscos do trabalho a gente já conhece bem. Mas o que destrói a alma de quem está ali dentro é o veneno do assédio moral. E essa dor não é exclusiva da Polícia Penal; a violência psicológica e o abuso de poder estão entranhados em todas as forças da segurança pública e espalhados por praticamente todos os ambientes de trabalho. Onde quer que exista uma hierarquia rígida e sem empatia, o assédio acaba se instalando.
O que quase ninguém vê é essa dor silenciosa que consome o servidor do lado de dentro. Essa violência psicológica, longe de trazer qualquer eficiência, destrói a dignidade do trabalhador e coloca em risco a própria segurança das unidades penais. A gente simplesmente não pode ignorar esse adoecimento.
O esgotamento físico e mental, a ansiedade, o burnout e a depressão têm entrado na casa dos nossos servidores, afetando suas famílias e tirando a alegria de servir — e até a vontade de viver. A dor provocada pelo isolamento e pela desvalorização é profunda. Nos momentos mais difíceis, ela acaba com qualquer resto de esperança e vira um gatilho perigoso para o suicídio.
Acolher a nossa gente é um dever moral, humano e legal. O assédio é crime previsto no Artigo 146-A do Código Penal Brasileiro. Ele precisa ser enfrentado com firmeza, mas também com escuta atenta, ouvidorias que funcionem de verdade e apoio real. Cuidar da segurança pública começa no olhar humano para quem está lá na linha de frente.
A gente precisa entender que a saúde mental virou um desafio global e urgente. As pessoas no mundo todo estão adoecendo pelo peso das pressões modernas, e o ambiente de trabalho não pode ser mais um fator para multiplicar esse sofrimento.
Se você está passando por isso ou conhece algum colega que precisa de apoio e justiça, denuncie. Para denunciar casos de assédio no serviço público em Mato Grosso, o servidor ou cidadão pode utilizar os canais oficiais da Ouvidoria Geral do Estado de Mato Grosso (CGE-MT):
Telefone (Disque-Ouvidoria): 162 ou 0800 647 1520 (ligação gratuita)
WhatsApp (Ouv-Zap): (65) 98476-6548 (para mensagens de texto, áudios, fotos e vídeos)
(*) EMILENE NUNES é Diretora de Atividade Social e da Saúde – SINDSPPEN/MT.
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