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Polícia Quarta-feira, 09 de Setembro de 2026, 07:44 - A | A

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Quarta-feira, 09 de Setembro de 2026, 07h:44 - A | A

OPERAÇÃO INSÍDIA

Servidores são alvos da polícia que investiga facilitação de celulares para facção em presídio

Policial penal e professora são alvos de oito ordens judiciais em Cuiabá; investigação aponta recebimento de valores e uso de acesso privilegiado para beneficiar facção criminosa.

DA REDAÇÃO

DPEMT

Presídio prisão cadeia

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (9), a Operação Insídia, para desarticular um esquema de corrupção envolvendo servidores do sistema prisional e da Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), investigados por facilitar a entrada clandestina de aparelhos celulares e outros itens para integrantes de uma facção criminosa dentro do sistema prisional.

Na operação, são cumpridas oito ordens judiciais em Cuiabá, sendo dois mandados de prisão preventiva, dois de busca e apreensão, dois bloqueios de valores e duas medidas de suspensão cautelar do exercício das funções públicas, expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias da capital.

As investigações, conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), têm como principais alvos um policial penal efetivo e uma professora contratada da Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), que atuava em salas anexas de uma escola estadual no Centro de Ressocialização de Várzea Grande.

LEIA MAIS: Grupo suspeito de tráfico e lavagem de dinheiro é alvo da polícia em Cuiabá

Os servidores são investigados pela prática dos crimes de corrupção passiva continuada, facilitação e intermediação da entrada de aparelhos telefônicos em estabelecimento prisional e associação criminosa. A atuação dos investigados estaria relacionada à logística de integrantes de uma facção criminosa.

O cumprimento das ordens judiciais é acompanhado pela Corregedoria da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus).

INVESTIGAÇÃO

As investigações tiveram início em junho de 2025, após a análise de materiais apreendidos que identificaram transferências via Pix destinadas à professora investigada, realizadas por reeducandos ou por familiares e visitantes cadastrados.

As informações coincidiram com uma denúncia que apontava a atuação da professora e do policial penal na introdução clandestina de aparelhos celulares e outros itens ilícitos na unidade prisional, mediante o recebimento de vantagens financeiras indevidas.

RECEBIMENTO DE VALORES

As investigações também apontaram movimentações consideradas incompatíveis com a atividade funcional dos investigados.

O policial penal cobrava valores entre R$ 7 mil e R$ 10 mil por cada celular levado para integrantes da facção criminosa. Durante sua atuação, ele chegou a utilizar a conta de sua companheira para receber os valores, como forma de dificultar a rastreabilidade das movimentações financeiras.

ENTRADA DE OBJETOS

Conforme apontado, a professora se valia do trânsito autorizado no interior da unidade prisional para viabilizar a entrada clandestina de celulares e outros itens em favor da facção, enquanto o policial penal utilizava sua condição funcional para o mesmo objetivo.

O acesso privilegiado ao ambiente prisional proporcionado pelos cargos ocupados pelos investigados teria sido o elemento essencial para a prática dos crimes apurados.

ORDENS JUDICIAIS

Diante dos elementos colhidos durante as investigações, a Polícia Civil representou pelas ordens judiciais contra os investigados. Além das prisões preventivas, a Justiça determinou a suspensão cautelar do exercício das funções públicas dos dois servidores durante o período de duração da investigação.

Os mandados de busca têm como objetivo a apreensão de novos elementos que possam contribuir para o avanço das investigações.

Também foi determinado o bloqueio de ativos financeiros nos valores de R$ 14,6 mil para a professora e de R$ 25,5 mil para o policial penal.

OPERAÇÃO INSÍDIA

Insídia significa traição, falta de lealdade. A denominação faz referência à conduta investigada, na qual agentes públicos são suspeitos de terem traído as funções que exerciam, a confiança depositada pela sociedade e o próprio Estado, utilizando justamente as prerrogativas dos cargos para facilitar a atuação criminosa dentro do sistema prisional.

As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer toda a extensão da estrutura criminosa.

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