Caroline Fernandes, filha mais velha de Gleici Keli Geraldo, voltou a se manifestar sobre o caso após a divulgação das imagens das câmeras de segurança da residência onde a mãe foi morta, em Lucas do Rio Verde (a 335 Km de Cuiabá). Em uma série de publicações nas redes sociais, ela questionou a conclusão de inimputabilidade atribuída a Daniel Frasson e descreveu uma sequência de acontecimentos que, segundo ela, teria sido registrada nos cerca de 40 minutos anteriores aos ataques.
As imagens mostram Daniel verificando o corredor para conferir se as vítimas continuavam dormindo, escolhendo a arma usada no crime, mexendo em uma câmera de segurança e caminhando pela casa antes de atacar Gleici.
"Se alguém comete um crime e alega insanidade mental, que não tinha “capacidade para compreender o que fazia no momento”, mas nos 40 minutos anteriores: confere o corredor para ver se as vítimas seguem dormindo; escolhe a arma do crime; lembra da existência de uma câmera de segurança e mexe nela na tentativa de desligá-la; anda em círculos tomando coragem...", declarou Carolina.
A filha da vítima defendeu que esses comportamentos devem ser considerados na análise da capacidade mental de Daniel no momento dos fatos.
Em outro trecho das publicações, Caroline relata o que teria acontecido após a morte da mãe. Segundo ela, Daniel teria deixado o local, retornado ao quarto onde estava a filha, sentado na cama, acordado a criança, pedido desculpas e a abraçado antes de atacá-la.
Ainda conforme a publicação, a menina teria sido atingida quatro vezes nas costas e quatro no peito. Depois, Daniel teria ido até o local onde havia deixado o telefone, desbloqueado o aparelho e enviado uma mensagem ao irmão.
Caroline também conta que, logo depois, Daniel teria relatado detalhadamente como o crime ocorreu, mas posteriormente passou a dizer que não se lembrava dos acontecimentos.
MENSAGEM SOBRE AS FACAS
Caroline também retomou a mensagem enviada à mãe antes do crime. Conforme já divulgado pelo advogado Rodrigo Pouso Miranda, uma cunhada de Gleici enviou uma mensagem alertando para que as facas da casa fossem escondidas.
Na publicação, Caroline afirma que Daniel teria conversado com a própria irmã dois dias antes do crime e questiona a relação entre essa conversa e a mensagem enviada posteriormente à mãe.
A mensagem, enviada às 20h38, dizia: “Cuh, sem o Dani ver... a hora que ele for dormir, esconde todas as facas da área de festa, não sei... senti algo ruim!”
Caroline questiona o que teria motivado o alerta e o conhecimento que a familiar possuía sobre a situação do casal.
INTERNAÇÃO
A filha de Gleici também criticou o custo da internação de Daniel em uma clínica particular. Em uma das publicações, Caroline afirma que mais de R$ 200 mil do Estado teriam sido gastos com o tratamento do acusado e questiona a permanência dele fora do sistema prisional.
“Se no hospital público não há vagas, resta 1 alternativa: trate no presídio assim como todos os outros detentos. Ou esse é especial?”, escreveu.
Daniel está internado em uma clínica particular de Cuiabá após apresentar, segundo a defesa, episódios de alucinações e pensamentos suicidas enquanto estava preso. A transferência ocorreu diante da ausência de vagas no Centro Integrado de Assistência Psicossocial (CIAPS) Adauto Botelho.
LAUDO DE INIMPUTABILIDADE
A manifestação de Caroline ocorre durante a discussão judicial sobre a saúde mental de Daniel. Um primeiro laudo da Politec apontou inimputabilidade. O resultado foi contestado pelo Ministério Público e pela família de Gleici, e a Justiça determinou uma nova perícia.
Posteriormente, uma junta formada por três peritos realizou a avaliação. O laudo concluído em junho de 2026 apontou esquizofrenia e transtorno bipolar e manteve a conclusão de inimputabilidade.
A conclusão pericial ainda será analisada pela Justiça. A inimputabilidade diz respeito à capacidade do acusado de compreender o caráter ilícito do ato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento no momento do crime e não significa, automaticamente, que o processo seja encerrado sem qualquer consequência jurídica.
É nesse ponto que Caroline concentra parte das críticas. Para ela, a sequência registrada pelas câmeras precisa ser confrontada com as conclusões dos exames psiquiátricos.
O CRIME
Gleici Keli Geraldo, de 42 anos, foi morta dentro de casa, em Lucas do Rio Verde, em 24 de junho de 2025. Daniel Frasson, companheiro da vítima, também atacou a filha do casal, que sobreviveu após permanecer internada por semanas.
Após os ataques, Daniel tentou tirar a própria vida e foi preso. Atualmente, permanece internado em clínica particular enquanto o processo tramita na Justiça. A família de Gleici atua como assistente de acusação, representada pelo advogado Rodrigo Pouso Miranda.
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