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Justiça Terça-feira, 04 de Agosto de 2026, 14:17 - A | A

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Terça-feira, 04 de Agosto de 2026, 14h:17 - A | A

GOLPES VIRTUAIS

Defensoria alerta para fraudes com nome de órgãos públicos e pedidos de Pix

Auditoria do TCU aponta falhas no combate às fraudes, que já causam prejuízos bilionários, enquanto criminosos usam até inteligência artificial para aplicar golpes

DA REDAÇÃO

Freepik

Golpe digital

A Defensoria Pública de Mato Grosso (DPEMT) alertou a população sobre o aumento de golpes digitais em que criminosos utilizam o nome, logotipos, fotografias e outras características de órgãos públicos para enganar vítimas. A orientação é desconfiar de mensagens que prometem benefícios, valores judiciais, ameaçam bloquear o CPF ou solicitam pagamentos via Pix, confirmando sempre a autenticidade das informações pelos canais oficiais antes de fornecer dados pessoais ou realizar transferências.

O alerta foi reforçado após auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificar fragilidades na prevenção e no combate aos chamados golpes de personificação governamental, em que criminosos se passam por instituições públicas por meio de WhatsApp, e-mails, redes sociais, anúncios patrocinados e páginas falsas.

Segundo o tribunal, entre janeiro e setembro de 2025, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, catalogou mais de 75 casos de golpes envolvendo a identidade de órgãos públicos, instituições financeiras e entidades do Poder Judiciário. O catálogo reúne mensagens fraudulentas denunciadas pela população ou identificadas por sistemas automatizados, e uma única mensagem pode ter alcançado milhares de pessoas.

No mesmo período, foram identificadas 855 páginas falsas e 572 ocorrências de phishing, técnica usada para induzir vítimas a fornecer senhas, dados bancários, códigos de autenticação e outras informações pessoais. Estudos reunidos pelo TCU estimam que os prejuízos causados por golpes e fraudes digitais no Brasil chegaram a cerca de R$ 100 bilhões em 2024. Além das perdas financeiras, o tribunal destaca impactos como medo, estresse, vergonha, perda de confiança nas instituições e resistência ao uso de serviços públicos digitais.

De acordo com a Defensoria, o órgão presta assistência jurídica gratuita, ou seja, não solicita pagamentos, depósitos ou transferências via Pix para realizar atendimentos. A recomendação é interromper imediatamente o contato ao receber mensagens suspeitas, não fornecer dados pessoais ou bancários, guardar provas como conversas, números de telefone, e-mails, comprovantes e capturas de tela, registrar boletim de ocorrência e comunicar a Defensoria caso haja suspeita de uso indevido da identidade institucional.

A auditoria do TCU avaliou 31 práticas de prevenção, detecção, investigação e monitoramento adotadas por oito organizações federais. Sete delas apresentaram menos de 50% de implementação dos controles considerados necessários pelo tribunal, que apontou a necessidade de fortalecer a gestão de riscos, ampliar os canais de denúncia e aumentar a capacidade de retirar rapidamente do ar páginas e anúncios fraudulentos.

O relatório também cita levantamento do NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que identificou 1.770 anúncios fraudulentos publicados por 151 anunciantes e relacionados a 87 sites entre os dias 10 e 21 de janeiro de 2025. Do total, 40,5% simulavam pertencer ao Governo Federal e 70,3% continham imagens, vídeos ou outros elementos produzidos ou manipulados com ferramentas de inteligência artificial.

Os anúncios prometiam valores a receber, benefícios públicos e facilidades relacionadas ao Pix. Para tornar as fraudes mais convincentes, os criminosos utilizavam a aparência de sites oficiais, símbolos governamentais, imagens de autoridades e informações pessoais verdadeiras obtidas anteriormente.

Entre os principais sinais de fraude, a Defensoria destaca mensagens com tom de urgência ou ameaça, como "última notificação", "bloqueio imediato do CPF", "benefício disponível somente hoje" ou "pagamento necessário para liberar o valor". Também devem despertar desconfiança pedidos de pagamento via Pix para pessoas ou empresas desconhecidas, solicitação de senhas, códigos de autenticação ou dados bancários, promessas inesperadas de prêmios ou benefícios, links diferentes dos portais oficiais, erros de escrita, pedidos para instalar aplicativos ou compartilhar a tela do celular e pressão para realizar transferências imediatas.

O Ministério das Comunicações orienta que o cidadão não clique em links recebidos por mensagens suspeitas e acesse os serviços digitando diretamente o endereço oficial no navegador ou utilizando os aplicativos oficiais das instituições.

CASO EM MATO GROSSO
Um dos casos ocorreu em Ribeirão Cascalheira (741 quilômetros de Cuiabá). Uma moradora recebeu mensagem de uma pessoa que se apresentou falsamente como estagiária da Defensoria Pública e informou que ela teria vencido uma ação judicial no valor de R$ 13,5 mil. Para liberar o suposto alvará, a vítima foi orientada a transferir R$ 989 por Pix. Após realizar o pagamento, descobriu que havia sido vítima de um golpe.

Em situações semelhantes, a orientação é interromper imediatamente a conversa e procurar a Defensoria Pública pelos canais oficiais. O atendimento é realizado pelo WhatsApp, no número (65) 99963-4454, pelo site oficial da instituição ou presencialmente em uma de suas unidades.

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