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Justiça Segunda-feira, 03 de Agosto de 2026, 16:13 - A | A

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Segunda-feira, 03 de Agosto de 2026, 16h:13 - A | A

"CUSTÓDIA DEGRADANTE"

Babá presa por vender vídeos sexuais de crianças a empresário pede prisão domiciliar

Tafnes Cavalheiro de Souza foi presa e confessou produzir e vender imagens de crianças para o empresário Fábio Serafim de Oliveira

MARYELLE CAMPOS e GABRIEL BARBOSA
Da redação

REPRODUÇÃO

Tafnes Cavalheiro de Souza e Fábio Serafim de Oliveira.jpeg

A defesa da babá Tafnes Cavalheiro de Souza, de 19 anos, busca substituir a prisão preventiva em medidas cautelares alegando que a jovem está há mais de 30 dias recolhida na carceragem de uma delegacia de Polícia Civil, em Sorriso (397 km de Cuiabá), que não possui condições estruturais para permanência prolongada. A jovem foi presa no mês de junho deste ano ao confessar que produzia e vendia conteúdos sexuais de crianças para o empresário Fábio Serafim de Oliveira, de 42 anos. 

LEIA: Babá de 19 anos produzia e vendia vídeos de abuso de crianças a empresário em Sorriso

A defesa realizada pelo advogado Walter Rapuano, argumentou que manter a custódia nessas condições por tempo dilatado é considerado como incompatível com a dignidade assegurada pela Constituição ao todo preso, definitivo ou provisório. 

"O motivo central do pedido é humanitário e estrutural. A cliente está há mais de trinta dias recolhida na carceragem de uma delegacia de polícia, que não é, por sua natureza e finalidade, lugar destinado à permanência prolongada de presas. Manter uma pessoa nessas condições, por tempo tão dilatado, é incompatível com a dignidade que a Constituição assegura a todo preso, provisório ou definitivo, sem distinção". 

LEIA: Polícia prende empresário e esposa por suspeita de estupro e exploração sexual infantil

Outro argumento apresentado pela defesa refere-se ao sistema prisional do estado, que enfrenta um cenário de superlotação. No pedido protocolado no Judiciário, a defesa sustenta que a permanência da investigada na delegacia viola direitos básicos dos presos provisórios diante da falta de vagas no sistema penitenciário estadual. 

Caso o pedido não seja acolhido, a defesa requer que Tafnes seja transferida para uma unidade prisional feminina apropriada. Até o momento, não há decisão da Justiça sobre o requerimento.

Início das investigações

As investigações tiveram início depois que uma familiar de uma das vítimas percebeu uma criança reproduzindo um comportamento sexual incompatível com a idade. Ao conversar com a menor, recebeu a informação de que ela havia sido incentivada pela investigada a praticar atos dessa natureza.

A partir da denúncia, a Polícia Civil instaurou inquérito e apreendeu o telefone celular de Tafnes. Segundo os investigadores, a análise do aparelho revelou conversas, fotos e vídeos que reforçaram as suspeitas sobre o esquema.

A babá confessou ter gravado parte dos registros envolvendo crianças sob seus cuidados. O material, segundo a investigação, era enviado a diversas pessoas, entre elas o empresário Fábio Serafim e sua esposa.

 
Empresário também responde

Fábio Serafim de Oliveira foi preso no dia 15 de julho juntamente com sua esposa, em Sorriso. De acordo com a Polícia Civil, ele recebia imagens e vídeos produzidos com crianças e efetuava pagamentos pelo conteúdo.

Inicialmente, o empresário negou qualquer envolvimento. Posteriormente, admitiu ter recebido os arquivos, mas afirmou ter sido alvo de uma armação. A versão é contestada pela Polícia Civil, que afirma ter reunido provas materiais, incluindo conversas e arquivos extraídos dos aparelhos eletrônicos dos investigados.

Até o momento, 33 crianças foram identificadas como possíveis vítimas do esquema criminoso. O inquérito continua em andamento para identificar outros eventuais envolvidos e responsabilizar os autores dos crimes.

LEIA MAIS: Polícia Civil identifica 33 vítimas de empresário preso por exploração sexual infantil

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