O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, negou o pedido de prisão preventiva de Ozia Rodrigues, conhecido como ‘Shelby’, em referência ao protagonista da série Peaky Blinders e de Weverton Pedro da Silva, ambos acusados de participação em um esquema de exploração de apostas ilegais do tipo ‘Tigrinho’ e lavagem de dinheiro supostamente vinculado ao Comando Vermelho. A decisão é desta sexta-feira (31) refere-se a Operação Ludus Sordidus.
Na mesma decisão, o magistrado determinou a manutenção do monitoramento eletrônico de Dayney Aparecido da Costa, que permanece preso por outros quatro mandados de prisão, e deu andamento à perícia médica de Sebastião Lauze Queiroz de Amorim, o ‘Vovô do CV’ marcada para o dia 4 de agosto. Vovô pede prisão domiciliar alegando problemas de saúde.
Na decisão, Bezerra afirmou que o término da fase de instrução não elimina, por si só, os fundamentos que justificaram a prisão cautelar. Segundo o magistrado, não foram apresentados fatos novos capazes de alterar a situação processual dos réus.
“A prisão nestes autos foi decretada em razão dos indícios veementes de participação dos réus em esquema criminoso de exploração de apostas ilegais e lavagem de dinheiro vinculados ao Comando Vermelho, circunstâncias graves que não foram enfraquecidas pelo mero encerramento da instrução processual”, frisou o juiz.
O juiz destacou que a prisão preventiva foi decretada com base em indícios de participação dos investigados em uma organização criminosa voltada à exploração de apostas ilegais e à lavagem de dinheiro, supostamente ligada ao Comando Vermelho. Para ele, a gravidade concreta dos fatos e o risco de continuidade das atividades criminosas justificam a manutenção da medida.
Já sobre o Vovô do CV, o magistrado determinou a intimação do Ministério Público para apresentar quesitos ou indicar assistente técnico na perícia médica, além de comunicar a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) sobre os documentos e informações apresentados pela defesa.
“Da perícia de saúde de Sebastião Lauze Intime-se o Ministério Público para, querendo, apresentar quesitos ou indicar assistente de perícia, bem como para ciência e manifestação. No mais, comunique-se à SES/MT os quesitos já apresentados pela defesa, assim como os documentos juntados e o assistente indicado. Intimem-se. Cumpra-se”, finalizou.
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OPERAÇÃO LUDUS SORDIDUS
A Operação Ludus Sordidus, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso em 21 de agosto de 2025, teve como objetivo desarticular uma facção criminosa altamente estruturada que atuava em Cuiabá, Várzea Grande e até em Nova Odessa (SP). As investigações, iniciadas após a interrupção de uma reunião comunitária no Jardim Liberdade, revelaram que o grupo explorava diversas atividades ilícitas, como jogos de azar digitais, como jogo do Tigrinho, estelionatos, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, movimentando mais de R$ 13,3 milhões em bens e valores bloqueados.
O líder da organização, Sebastião Lauze, que se apresentava como presidente de um time de futebol amador e realizava ações sociais para encobrir suas atividades, controlava a “quebrada” e lucrava com golpes e apostas ilegais, recebendo até 10% dos lucros de plataformas clandestinas. Mesmo após ser preso e colocado em prisão domiciliar, continuou articulando crimes, o que levou a um novo mandado de prisão em setembro de 2025.
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