A juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, interveio na sustentação da defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, nesta sexta-feira (31), após o advogado tentar argumentar que a ausência de laudo pericial de sanidade mental não impediria o pedido de insanidade. A magistrada afirmou que o processo não tem perícia e que a tese não tem amparo técnico. A defesa pediu que o debate constasse em ata.
Durante a sustentação oral no Tribunal do Júri, o advogado Elson Marcelino da Silva Júnior afirmou que a falta de um laudo pericial de sanidade mental não seria obstáculo para o pedido, porque "o corpo fala" e qualquer alteração comportamental já indicaria doença mental.
"Não temos um instinto de sanidade mental. Mas o que é sanidade mental? Qualquer coisa que altere o meu comportamento não é sanidade mental", disse o defensor, em trecho da sustentação.
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A magistrada interrompeu o advogado e questionou: "Por acaso o senhor quis dar uma das respostas que vai ser a minha culpabilidade?" Ela afirmou que o processo não tem laudo pericial e que a tese não tem fundamento. "Só pode ser presitado se tiver um mal principal", disse a magistrada.
O defensor pediu que a discussão constasse em ata. A juíza respondeu: "O senhor não pode fazer nada. O senhor escreva. É barra." O debate, no entanto, ficará registrado em ata, conforme solicitado pela defesa.
A defesa ainda citou a necessidade de uma "perícia do Estado" e argumentou que "os espíritos são animais", em uma tentativa de construir uma tese que justificasse a insanidade mental do réu, mesmo sem a produção de prova pericial.
O CASO
Carlinhos Bezerra é acusado de matar a tiros a ex-companheira Thays Machado e o namorado dela, William Moreno, em 18 de janeiro de 2023, em Cuiabá. O julgamento, que começou nesta sexta-feira (31), foi marcado por manobras da defesa para adiar a sessão, incluindo a tentativa de usar um laudo médico de sarna para justificar o adiamento e a alegação de que a ausência de gravação da sessão anterior comprometeria o contraditório.
O réu é filho do ex-governador de Mato Grosso Carlos Bezerra e responde por feminicídio e homicídio qualificado. O Tribunal do Júri, presidido pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, segue em andamento
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