O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, revogou a prisão preventiva de Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como "WT", apontado pelas investigações como tesoureiro do Comando Vermelho (CV) em Mato Grosso. A decisão foi proferida nesta quinta-feira (30), após o magistrado concluir que o investigado já responde pelos mesmos fatos em outra ação penal e permanece preso preventivamente por outros processos.
WT é investigado por integrar um esquema de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e golpes praticados por meio da plataforma OLX. Apesar da revogação da prisão decretada na Operação Gerente Fantasma, ele continuará detido em razão das prisões preventivas mantidas nas operações Apito Final e Replay, nas quais é acusado de movimentar recursos da facção criminosa e ocultar patrimônio milionário.
Na mesma decisão, o magistrado recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e tornou réus oito investigados na ação penal decorrente da Operação Gerente Fantasma. Paulo Witer, porém, não foi incluído na denúncia porque, segundo o próprio Ministério Público, os fatos atribuídos a ele já são objeto de outro processo criminal.
A defesa solicitou a revogação da prisão preventiva sob o argumento de que, sem denúncia apresentada contra o investigado nessa ação, não havia justificativa para manter a medida cautelar. Os advogados sustentaram que não existia instrução criminal a ser preservada nem fundamentos para a manutenção da prisão com base na garantia da ordem pública.
Ao analisar o pedido, o juiz acolheu os argumentos e destacou que o Ministério Público reconheceu expressamente que Paulo Witer já responde pelos mesmos fatos em outro processo, no qual sua prisão preventiva permanece válida.
Na decisão, Jean Garcia de Freitas Bezerra afirmou que manter uma nova prisão pelos mesmos fatos configuraria bis in idem, princípio jurídico que veda dupla punição pela mesma conduta. Segundo o magistrado, uma nova prisão preventiva somente poderia ser decretada com base em fatos distintos e devidamente amparados por denúncia específica ou por novas investigações.
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A Operação Gerente Fantasma foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) em abril de 2026 para investigar uma organização criminosa suspeita de atuar com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e golpes em plataformas de compra e venda pela internet, como a OLX.
De acordo com as investigações, a facção utilizava "gerentes" fictícios, pessoas sem capacidade financeira compatível, para movimentar dinheiro do crime, adquirir bens de alto valor e ocultar patrimônio em nome de terceiros. O grupo também é investigado por comercializar pasta base de cocaína, cocaína refinada e skunk, além de controlar pontos de venda de drogas em diversos bairros de Cuiabá.
Paulo Witer é apontado como um dos principais alvos das operações Apito Final, Gerente Fantasma e Replay. Segundo as investigações, ele teria participado da lavagem de aproximadamente R$ 17 milhões para o Comando Vermelho, utilizando imóveis de luxo em cidades litorâneas e até clubes de futebol para ocultar recursos ilícitos. Ainda conforme o Ministério Público, mesmo recolhido na Penitenciária Central do Estado (PCE), ele continuava exercendo influência sobre as atividades da organização criminosa.
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