A juíza Monica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou que o julgamento de Carlinhos Bezerra, acusado de matar a ex-companheira e o namorado dela em 2023, na Capital, prossiga normalmente, mesmo após a defesa apresentar um laudo médico indicando que, entre outros problemas de saúde, ele contraiu escabiose (sarna) na prisão. O Tribunal do Júri, que foi adiado do dia 21 para esta sexta-feira (31), teve início com cerca de uma hora de atraso, após a análise e a rejeição do pedido da defesa.
A primeira testemunha a ser ouvida é o delegado da Polícia Civil Marcelo Gomes.
Na quarta-feira (29), Monica Perri também negou outro pedido apresentado pelo advogado de Carlinhos, Elson Marcelino da Silva Júnior. A magistrada rejeitou a tese da defesa de que a ausência da gravação da sessão realizada no dia 21 comprometeria o contraditório e a ampla defesa, afirmando que a ata é suficiente para comprovar os atos praticados.
Na decisão, a juíza destacou que a sessão não teve produção de provas orais, já que a defesa abandonou o plenário antes do início da instrução. Por isso, entendeu que não houve qualquer nulidade decorrente da ausência da gravação audiovisual, embora tenha determinado a juntada do arquivo aos autos, caso ele esteja disponível nos sistemas do Judiciário.
Segundo a magistrada, após a formação do Conselho de Sentença, a defesa apresentou uma série de pedidos preliminares, entre eles acesso a autos sigilosos, realização de perícia de insanidade mental, informação sobre habeas corpus pendentes e alegação de quebra da cadeia de custódia. Todos os requerimentos foram indeferidos e, em seguida, os advogados deixaram o plenário antes do início da fase de instrução.
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O CASO
Thays Machado era ex-companheira de Carlinhos. No dia do crime, em 18 de janeiro de 2023, ela havia acabado de buscar o então namorado, William Moreno, no Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, quando os dois foram surpreendidos por disparos de arma de fogo na calçada do edifício Solar Monet, onde morava a mãe da vítima.
Thays e William morreram ainda no local. Carlinhos fugiu para uma propriedade rural da família, cujo patriarca é o ex-governador de Mato Grosso Carlos Bezerra. No decorrer do processo, o réu chegou a ser beneficiado com prisão domiciliar, mas voltou à cadeia após descumprir as medidas cautelares.
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