Em uma reviravolta política de última hora, o Partido Progressistas (PP) sepultou nesta sexta-feira (31) qualquer possibilidade de aliança com o PL para a disputa presidencial, inviabilizando o plano de levar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) à vice-presidência na chapa de Flávio Bolsonaro. A decisão foi comunicada oficialmente poucos minutos após o próprio pré-candidato do PL declarar a jornalistas, em São Paulo, que a ex-ministra havia aceitado o convite.
Durante evento com vereadores na capital paulista, Flávio afirmou que Tereza Cristina teria topado compor a chapa, mas ponderou que a confirmação final dependia do aval do diretório nacional do PP. "Ela aceitou, mas depende do partido", disse o presidenciável, que já havia classificado a senadora como seu "sonho de consumo" para a vaga. Em seguida, porém, a legenda comandada por Ciro Nogueira emitiu uma nota oficial na qual decreta neutralidade total nas eleições presidenciais deste ano, tornando inviável a coligação com o PL.
O comunicado do PP, que integra uma federação com o União Brasil, ressaltou que a decisão de não apoiar nenhum candidato a presidente no primeiro turno visa preservar as bancadas no Congresso e permitir que os diretórios estaduais tenham liberdade para fechar alianças conforme os contextos locais. A federação, no entanto, depende da concordância do União Brasil para mudar de posição, e a cúpula de ambos os partidos sinalizava resistência à aliança nacional com Flávio.
Nos bastidores, pesa contra a aproximação a mágoa do presidente do PP, Ciro Nogueira, com o candidato do PL. Ambos são alvos de investigações no âmbito do "Caso Master", Ciro é suspeito de ter recebido vantagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, enquanto Flávio foi flagrado pedindo dinheiro ao mesmo investigado para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Desde que Ciro passou a ser alvejado pela Polícia Federal, Flávio demarcou distância pública do aliado, o que azedou de vez as relações entre os dois.
Do ponto de vista estratégico, Tereza Cristina era vista como um ativo valioso para a campanha de Flávio. Ex-ministra da Agricultura, ela tem trânsito entre empresários e no agronegócio, experiência no Executivo e poderia ajudar a reduzir a rejeição do presidenciável entre o eleitorado feminino — desvantagem apontada por pesquisas internas. Além disso, uma aliança com o PP injetaria na chapa recursos consideráveis do fundo eleitoral e tempo de TV.
Apesar das pressões, a senadora sempre priorizou a continuidade de seu mandato no Congresso e o projeto de assumir a presidência do Senado em 2027. No dia 27 de julho, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto — que atuava como principal articulador do acordo — já havia afirmado que Tereza teria negado o convite. Após uma reunião entre Flávio e a senadora no dia 30, o cenário parecia ter mudado, mas a rápida contraofensiva do PP nesta sexta colocou um ponto-final na negociação.
Cronologia do imbróglio
A tentativa de composição se arrastava desde o início do ano. Em abril, Flávio já chamava Tereza de "sonho de consumo" durante a Expogrande. Em julho, houve encontros decisivos, primeiro com Valdemar (dia 21), depois com o próprio Flávio (dia 29). Nesta sexta (31), a fala do presidenciável sobre o suposto aceite foi imediatamente desmentida na prática pela nota do PP.
Prazo eleitoral
A lei eleitoral estabelece que os partidos têm até o dia 5 de agosto para realizar convenções e definir seus rumos nas eleições. Até o dia 15 do mesmo mês, as chapas definitivas precisam ser registradas na Justiça Eleitoral. Com o veto do PP, Flávio Bolsonaro agora corre contra o tempo para encontrar um novo nome para a vice-presidência ou reavaliar sua estratégia de campanha. Ao ser questionado sobre a negativa, o presidenciável limitou-se a afirmar: "Sou brasileiro, não desisto nunca."
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