O promotor de Justiça Vinícius Gahyva, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), destacou que Carlinhos Bezerra tratava Thays Machado não como uma namorada, mas como um objeto de sua propriedade. Para sustentar essa tese, a acusação destacou, entre outros fatos, que ela já havia tentado terminar o relacionamento outras vezes e que ele insistia no envio de mensagens, como ocorreu ao longo de quase 20 dias entre o último término e o assassinato dela e de seu namorado, William Moreno.
O representante do MPMT citou um episódio ocorrido em 2022, quando Thays afirmou que o namoro já havia acabado e frisou que era para ele parar de enviar mensagens, pois não queria mais contato. De acordo com o promotor, Carlinhos respondeu: "É muita filha da putice", "estava falando com quem uma hora dessas?", "fala com quem, fala a verdade".
Para Gahyva, esses exemplos e os demais elementos colhidos nos autos, seja por meio da extração dos conteúdos dos celulares, seja pelos depoimentos das testemunhas, apontam que "ele enxergava ela não como uma mulher, mas como um objeto" e que a "reação violenta" apenas confirma isso.
O MPMT também questionou o suposto elemento novo apresentado pela defesa, que seria o fato de Carlinhos ter sido chamado de "corno", sendo que, durante todo o processo, que se arrastou por três anos, isso nunca havia sido citado. Carlinhos respondeu que só contou esse fato ao seu primeiro advogado.
Carlinhos também disse que, após os crimes, estava muito nervoso e não conseguia dormir e que, por esse motivo, em vez de se entregar, fugiu para uma propriedade rural da família.
O CASO
Thays Machado era ex-companheira de Carlinhos. No dia de sua morte, em 18 de janeiro de 2023, ela havia acabado de buscar o então namorado, William Moreno, no aeroporto de Várzea Grande, quando os dois foram surpreendidos por disparos de arma de fogo na calçada do edifício Solar Monet, onde morava a mãe da vítima.
Eles morreram ainda no local. Carlinhos fugiu para uma propriedade rural da família, cujo patriarca é o ex-governador de Mato Grosso, Carlos Bezerra. No decorrer do processo, o réu chegou a ser beneficiado com prisão domiciliar, mas voltou à cadeia após violar as medidas cautelares.
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