O juiz André Barbosa Guanaes Simões, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou, nesta quinta-feira (20), que a extração das cópias forenses de dois HDs apreendidos na ação penal contra Peterson Venites Komel Júnior seja acompanhada por um perito oficial da Politec. Os discos foram apreendidos pela Polícia Federal na investigação sobre o assassinato do advogado Roberto Zampieri em dezembro de 2023 em Cuiabá.
A medida, segundo o magistrado, busca garantir “maior segurança aos procedimentos adotados” e preservar a integridade da prova digital. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) havia pedido a designação de um perito criminal ao afirmar que seus representantes não possuem “conhecimento técnico especializado” para fiscalizar a extração e duplicação dos dados digitais. O juiz acolheu o requerimento e afirmou que a operação envolve procedimentos “cuja adequada fiscalização reclama conhecimentos específicos de informática forense”.
Komel Júnior é suspeito de fazer parte do Comando de Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos (C4), uma possível agência de espionagem, homicídios por encomenda e blindagens de mandantes dos crimes. O coronel aposentado do Exército, Etevaldo Caçadini Vargas, acusando de financiar o assassinato de Zampieri, também faria parte do C4 e seria chefe de Peterson. Já os supostos mandantes são o casal Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo.
O magistrado também analisou pedido de Mario Jorge Bucater, outro investigado por fazer parte do C4, que alegou omissão na análise de pedidos subsidiários, como a flexibilização da área de monitoramento eletrônico e a alteração do horário de recolhimento domiciliar. O juiz reconheceu que esses pontos não foram examinados “de forma específica” na decisão anterior e determinou que a Gestão Judiciária certifique a tempestividade dos embargos.
De acordo com a denúncia do MPMT, o grupo C4 teria sido contratado por Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo para executar Roberto Zampieri em meio a uma disputa patrimonial envolvendo uma fazenda avaliada em cerca de R$ 100 milhões. Ao todo, nove pessoas foram denunciadas por participação na estrutura criminosa.
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Embora não sejam acusados de envolvimento direto no homicídio, Peterson Venites Komel Júnior, Salézia Maria Pereira de Oliveira e Mario Jorge Bucater respondem por integrar o grupo. Peterson teria atuado na aquisição de armas, monitoramento de alvos e recrutamento de integrantes, enquanto Salézia e Bucater teriam prestado apoio financeiro para garantir o silêncio dos executores e dificultar a identificação dos mandantes.
O Ministério Público afirma que eles não seriam “integrantes periféricos”, mas parte de uma organização “altamente estruturada”, com divisão de tarefas e atuação voltada, entre outras finalidades, à prática de homicídios sob encomenda.
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