O vereador Charles da Educação (UB), presidente da Comissão de Educação da Câmara, subiu o tom contra a prefeitura, denunciando o que chama de "atropelo" na ordem dos classificados do processo seletivo da Secretaria de Educação em Várzea Grande. Em entrevista ao HNT, nesta sexta-feira (30), o parlamentar afirmou que a tentativa de digitalizar a atribuição de vagas via link, sem testes prévios, gerou um caos administrativo.
Charles relatou que o sistema ignorou a pontuação dos candidatos, permitindo situações de suposta injustiça. "Tem gente que está em 200º e já está na escola com a vaga, e outro que está em 13º e ainda não conseguiu", disparou.
O vereador foi além e levantou uma suspeita de "vagas fantasmas". "Eu quero uma vaga na escola 'X', mas ela não aparece no link. Isso gera a suspeita de que estão escondendo vagas", pontuou Charles, que já levou o caso pessoalmente à prefeita Flávia Moretti (PL).
O parlamentar criticou a forma como a inovação foi imposta às vésperas do ano letivo, que começa nesta segunda-feira (2).
"Eu concordo que tem que modernizar, mas tudo tem que ser bem esclarecido. Quando fomos implantar a 'Matrícula Web', fizemos quase dois anos de testes. Não se pode chegar em um seletivo e querer implantar algo que você não sabe se vai dar certo faltando dias para o retorno às aulas", disparou o parlamentar.
As declarações de Charles fazem eco a uma mobilização dos servidores ocorrida nesta semana, na qual cobravam transparência no processo seletivo.
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) não ignorou o ruído. O município foi notificado e tem o prazo de 48 horas, contados a partir de quinta-feira, para explicar as inconsistências e garantir que o ano letivo não comece com déficit de professores ou injustiças no processo de escolha.
OUTRO LADO
Em resposta às denúncias de "fura-fila" e falta de transparência, o secretário de Educação de Várzea Grande, Igor Cunha, afirmou ao HNT que as críticas partem de uma interpretação equivocada do edital. Segundo ele, o processo seletivo não seguiu uma lista única e geral, mas foi dividido por regiões específicas, o que explica por que candidatos com classificações gerais diferentes foram chamados em tempos distintos.
"O que o pessoal muitas vezes não lê no edital é que o processo foi por região. Alguém em 18º lugar geral pode não ter sido chamado ainda porque na região que ele escolheu a concorrência foi maior, enquanto um candidato em 29º já foi lotado porque havia mais vagas na região dele. Foi uma escolha do próprio candidato no ato da inscrição", explicou o secretário.
Sobre o "caos" relatado, Cunha minimizou e atribuiu as dificuldades a falhas no envio de arquivos pelos próprios profissionais. Ele detalha que o sistema indeferiu automaticamente documentos ilegíveis ou com erros de digitação.
"O processo é 100% online, da entrega de documentos à assinatura do contrato. Tiramos as pessoas da zona de conforto e isso gera uma quebra de paradigma. Atendemos cerca de 400 pessoas presencialmente, o que representa apenas 12% do universo de convocados. A grande maioria conseguiu concluir o processo sem problemas", pontuou.
Quanto à suspeita de que escolas estariam sendo ocultadas do sistema, o secretário esclareceu que o link só mostra as unidades da região escolhida pelo candidato e que ainda possuem vagas disponíveis.
"Se uma escola não aparece, é porque as vagas dela já foram liquidadas ou porque o profissional não se inscreveu para aquela região específica", rebateu.
Apesar da notificação do Ministério Público, Igor Cunha garantiu que o planejamento para o início do ano letivo está mantido. De acordo com a secretaria, o município já conta com 2.400 profissionais com contratos assinados e dentro das escolas, superando o mínimo necessário, de 1.800, para operar a rede. Uma segunda chamada com 456 nomes está sendo finalizada para completar o quadro total.
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