Em junho de 2025, os países europeus da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) acordaram elevar o gasto de 2% do PIB para 3,5% até 2035 pela definição da aliança, e para 5% quando incluídas despesas relacionadas à defesa.
Segundo a Fitch, o efeito macroeconômico para a Alemanha tende a ser relevante. Como ocorre em episódios de afrouxamento fiscal, o aumento do gasto militar deve impulsionar a atividade. A ampliação adicional prevista para 2025-2028 supera em mais de 60% a soma do crescimento equivalente em França, Itália e Espanha e pode representar até 0,3% do PIB da zona do euro.
Berlim, além disso, pretende financiar boa parte dessa expansão com mais endividamento, e não com realocação de despesas existentes, o que reforça o impacto sobre o crescimento.
A agência de rating porém ressalta que os benefícios econômicos também dependem da capacidade instalada nos setores diretamente ligados à defesa, especialmente num momento em que países europeus buscam reduzir a dependência de equipamentos importados. A França se destaca pela indústria aeroespacial, mas a Alemanha dispõe, no conjunto, de maior base produtiva em segmentos sensíveis ao gasto militar. Setores industriais onde a defesa costuma ter presença significativa respondem por cerca de 12% do PIB alemão, contra aproximadamente 7% na França e no Reino Unido.
Com esses fatores combinados, a Fitch projeta que o estímulo econômico será mais forte na Alemanha do que em outras grandes economias europeias, adicionando 0,8 pp ao PIB alemão de forma acumulada entre 2026 e 2028.
(Com Agência Estado)
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