O consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, preso nesta quinta-feira (29) durante a Operação Tomada de Contas, é apontado pela Polícia Federal como o maior beneficiário individual de pagamentos suspeitos realizados com recursos públicos da instituição. Segundo a investigação, ele recebeu R$ 32,3 milhões em menos de dez meses, movimentados por diferentes contas bancárias, enquanto seu patrimônio passou de R$ 1,84 milhão para R$ 7,61 milhões no mesmo período.
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Imagens de câmeras de segurança também registraram o servidor colocando blocos de dinheiro em espécie dentro de uma mochila, em uma agência bancária instalada no tribunal. Os dados constam da decisão obtida pelo HNT do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou a prisão preventiva do consultor e de outros cinco investigados, incluindo o presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida.
De acordo com os relatórios financeiros, dos R$ 32.310.120,43 atribuídos a Grhegory, R$ 31.644.860,90 foram transferidos por meio de 179 ordens bancárias avulsas, distribuídas entre 12 contas mantidas em nove instituições financeiras. A movimentação chamou a atenção dos investigadores pela concentração dos recursos em um curto período.
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Conforme a apuração, o patrimônio identificado do consultor passou de R$ 1,84 milhão, em janeiro de 2025, para R$ 7,61 milhões em outubro do mesmo ano, crescimento considerado atípico diante dos pagamentos investigados.
Além das transferências bancárias, a Polícia Federal analisou imagens de câmeras de segurança da agência do Sicoob instalada nas dependências do TCE-MT. Os registros mostram Grhegory recebendo e acondicionando blocos de cédulas em uma mochila, circunstância utilizada pelos investigadores para apurar sua possível participação direta na movimentação de dinheiro em espécie.
HOLDING FAMILIAR E CRIAÇÃO DE CAVALOS
A investigação também identificou a criação de empresas que, segundo a PF, podem ter sido utilizadas para ocultar a origem e a destinação dos recursos. Uma delas é a G.P.P.M.M. Participações e Empreendimentos Ltda., holding familiar administrada pela sogra do consultor e, anteriormente, pela esposa de Gustavo Fernandes da Silva, outro servidor preso na operação. Conforme a apuração, a empresa teria recebido aportes provenientes das quantias movimentadas por Grhegory.
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Outra estrutura empresarial investigada é a Maia Reining Horses Ltda., constituída em 22 de julho de 2025 para atuar na criação de cavalos e na comercialização de embriões e sêmen. A atividade despertou a atenção dos investigadores pela dificuldade de estabelecer preços públicos de referência para as negociações, condição que, segundo a PF, poderia facilitar a dissimulação de valores.
A decisão judicial também aponta a atuação de Grhegory em processos perante o Supremo Tribunal Federal (STF), nos quais defendeu a legalidade de verbas indenizatórias destinadas a integrantes do TCE-MT. Para os investigadores, a participação do consultor nessas discussões, enquanto figurava entre os principais destinatários dos pagamentos sob suspeita, representa um possível conflito de interesses.
Grhegory é procurador de carreira da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e atua como consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas desde fevereiro de 2020. Na operação, foi apontado como integrante do núcleo responsável pela articulação jurídica e financeira do suposto esquema.
SUPOSTO DESVIO DE R$ 75 MILHÕES
A Operação Tomada de Contas foi deflagrada após investigações iniciadas a partir de uma denúncia encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF). Segundo a Polícia Federal, a presidência do TCE-MT teria utilizado a suspensão de contratos administrativos como mecanismo de pressão contra fornecedores, que seriam condicionados a devolver parte dos valores recebidos para manter contratos ou obter vantagens nos pagamentos.
Paralelamente, os investigadores identificaram suspeitas de funcionamento de uma folha paralela de pagamentos, com transferências realizadas fora do calendário habitual de remuneração dos servidores e por canais utilizados para quitar despesas com fornecedores. Entre 1º de janeiro e 22 de outubro de 2025, a movimentação financeira considerada suspeita chegou a R$ 75,8 milhões.
Além de Grhegory e Sérgio Ricardo, foram presos Roseli Loss, Adriangelo Barros Antunes, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke. A operação mobilizou mais de 180 policiais federais para cumprir seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, além de medidas de afastamento de sigilos e sequestro de bens.
O STJ também determinou medidas cautelares contra outros integrantes do Tribunal de Contas, incluindo os conselheiros Guilherme Antônio Maluf, Alisson Carvalho de Alencar, José Carlos Novelli e o conselheiro aposentado Valter Albano da Silva.
As suspeitas investigadas podem configurar crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A Polícia Federal ainda apura a origem, a destinação e a legalidade dos recursos movimentados, sendo que os valores identificados não representam, necessariamente, quantias de desvio já comprovadas.
As prisões são cautelares, e os investigados não foram condenados pelos fatos apurados na operação.
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