O advogado Felipe Dorileo, um dos alvos da Operação Reescrita, afirmou que já havia procurado a polícia para investigar a origem do documento suspeito de falsificação relacionado à tentativa de transferência de Miro Arcangelo Gonçalves de Jesus, conhecido como “Miro Louco”, de uma penitenciária federal no Paraná para a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. Em vídeo divulgado nesta quarta-feira (28), ele declarou que registrou um boletim de ocorrência com o advogado Gerson Trevisol meses antes de ser alvo de busca e apreensão.
Segundo Dorileo, o documento foi encaminhado por uma colega no fim de 2025. Ele afirmou que não atua na área criminal e que, ao receber o arquivo, procurou o Judiciário acompanhado de Trevisol para verificar a existência da suposta decisão.
De acordo com a versão apresentada pelo advogado, os dois foram informados de que não havia decisão daquele teor no processo e encaminharam o documento ao gabinete judicial.
“Se eu soubesse que isso se tratava de um documento falso, eu apresentaria?”, questionou Dorileo no vídeo.
O advogado sustenta que a iniciativa de procurar o Judiciário seria incompatível com a intenção de utilizar conscientemente um documento falso. A declaração faz parte da versão apresentada por ele, enquanto a Polícia Civil investiga a participação individual dos três profissionais envolvidos no caso.
BOLETIM DE OCORRÊNCIA
Dorileo afirmou que ele e Trevisol registraram um boletim de ocorrência em 29 de abril de 2026 para pedir a apuração da origem do arquivo. Segundo o advogado, em 4 de maio, os dois formalizaram uma representação e se colocaram à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Ele declarou que ofereceu espontaneamente os próprios celulares e notebooks, além de se disponibilizar para depoimento.
“E aí, seis meses depois, sou surpreendido na porta da minha residência com a polícia solicitando o meu celular. Celular esse que eu já ofertei”, afirmou.
Após o cumprimento do mandado de busca e apreensão, Dorileo disse que compareceu à sede da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), onde conversou com o delegado responsável pela investigação e reiterou a disposição de colaborar.
O advogado também pediu que a imprensa evite conclusões antecipadas sobre o caso. Ele afirmou atuar há mais de dez anos na profissão e disse acreditar que os fatos serão esclarecidos.
O QUE A POLÍCIA INVESTIGA
A Operação Reescrita foi deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso na quarta-feira (28) para investigar três advogados por suspeita de falsificação de documento público, uso de documento falso e integração em organização criminosa.
Além de Dorileo e Trevisol, a advogada Pabline Mayara Barbosa Belfort Medeiros também é investigada. Ela é apontada pela apuração como possível participante da elaboração ou edição do documento, enquanto os outros dois profissionais teriam atuado na apresentação e utilização do arquivo perante o Judiciário.
A investigação começou após a Gerência de Combate ao Crime Organizado e a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco) receberem informações sobre uma suposta decisão que permitiria flexibilizar a transferência de Miro Louco da Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, para a PCE, em Cuiabá.
Segundo as informações divulgadas pela Polícia Civil, o pedido relacionado à transferência foi apresentado em junho de 2025. Em dezembro daquele ano, dois dos advogados investigados teriam comparecido a uma unidade judicial da Capital para solicitar providências com base na suposta decisão, atribuída a novembro de 2025.
Durante a conferência, servidores constataram que o magistrado não havia proferido a decisão e que o documento não estava registrado no processo. Também foram identificadas inconsistências, entre elas um código de validação vinculado a outro processo e diferenças em relação aos padrões dos documentos oficiais do sistema eletrônico de execução penal.
A análise técnica do arquivo apontou indícios de edição externa, conforme as informações divulgadas na investigação.
Os mandados de busca e apreensão tiveram como objetivo localizar celulares, computadores, notebooks, documentos e outros materiais que possam contribuir para esclarecer a origem do arquivo e a participação de cada investigado.
As suspeitas ainda são objeto de investigação, e a responsabilidade criminal dos envolvidos não foi definitivamente estabelecida.
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.










