O Tribunal do Júri de Sorriso (420 km de Cuiabá), condenou Welliton Sousa, conhecido como “Neguinho Pesadelo”, a 28 anos, um mês e 10 dias de prisão em regime inicial fechado por participação no assassinato de Andrei Cordeiro de Moura, 17, na tentativa de homicídio contra o pai do adolescente, Elinésio Pereira de Moura, e por integrar o Comando Vermelho. A sentença é desta terça-feira (27).
Segundo a acusação, Welliton forneceu a arma usada no crime, acompanhou a execução e deu apoio à fuga do atirador, que não foi identificado. Os jurados reconheceram as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa das vítimas tanto no homicídio quanto na tentativa de homicídio.
O crime ocorreu na noite de 1º de maio de 2024, no bairro Mário Raiter. De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o ataque foi motivado pela disputa entre facções. Os envolvidos suspeitavam que Andrei tivesse ligação com um grupo rival ao Comando Vermelho. A mãe do adolescente negou qualquer envolvimento do filho com facções.
Ainda conforme a investigação, a mulher tentava retirar o filho da cidade após tomar conhecimento de ameaças. Enquanto providenciava uma passagem rodoviária, Elinésio saiu com o adolescente para tentar resolver a situação. Os dois foram até a casa onde Welliton morava.
No local, o homem apontado como autor dos disparos entrou no carro das vítimas e convenceu pai e filho a seguirem até uma área isolada próxima a um milharal. Durante o trajeto, Welliton acompanhou o veículo em uma motocicleta e permaneceu nas proximidades para dar suporte ao executor, segundo a acusação.
Imagens de câmeras de segurança registraram o encontro entre os envolvidos, o deslocamento até a região do crime e a movimentação que, segundo o Ministério Público, comprova o monitoramento das vítimas e o apoio à fuga do atirador.
Durante o ataque, Elinésio conseguiu sair do carro e correr. Ferido, ele se escondeu no milharal enquanto era perseguido pelo executor e depois buscou ajuda. Andrei também foi baleado, mas conseguiu dirigir até as proximidades da casa de familiares. Levado ao Hospital Regional de Sorriso, ele não resistiu aos ferimentos. O pai sobreviveu após receber atendimento médico.
A investigação apontou que, após os disparos, Welliton resgatou o atirador de motocicleta e recebeu de volta o revólver usado no crime. A arma foi encontrada na residência dele no dia seguinte. Exame de balística concluiu que o projétil retirado do corpo de Andrei foi disparado pelo revólver apreendido.
Dados extraídos do celular do condenado mostraram mensagens sobre a guarda e a ocultação da arma. Também foram encontradas fotografias, vídeos e conversas que, segundo a acusação, demonstram sua ligação com o Comando Vermelho e participação em atividades de vigilância, monitoramento de viaturas policiais e cumprimento de ordens da facção.
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