Decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou a operação Tomada de Contas, deflagrada nesta quinta-feira (29), descreve o fluxo financeiro de pagamentos suspeitos feitos pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT). Conselheiros e servidores da Corte são investigados por supostas irregularidades em contratos administrativos, pagamentos a servidores e movimentações financeiras atípicas na Corte de Contas. As movimentações chegaram a R$ 75,8 milhões, de acordo com a Polícia Federal.
Segundo a apuração, os recursos saíam oficialmente da conta do TCE-MT. Depois, parte era distribuída por meio de ordens bancárias avulsas e de canais destinados a fornecedores e a pagamentos diversos. Os créditos eram pulverizados entre diferentes contas bancárias e instituições financeiras.
A investigação aponta que os valores eram, em seguida, sacados em espécie. As retiradas ocorriam no caixa ou em terminais de autoatendimento. Parte dos saques teria sido feita na agência da Sicoob instalada no TCE-MT. Imagens analisadas pela Polícia Federal
registrariam servidores retirando e entregando dinheiro vivo.
A decisão cita a secretária executiva do TCE, Roseli Loss, entre as participantes recorrentes dessas operações. No caso do presidente da Corte, Sérgio Ricardo de Almeida, foram contabilizados 150 saques, que somariam cerca de R$ 15,6 milhões. Ambos foram presos durante a operação.
Após uma diligência policial em 2025, os grandes saques teriam diminuído e o padrão financeiro teria mudado. A decisão aponta que as retiradas voltaram a ocorrer em maio de 2026.
AMIGO DE LONGA DATA, ADRIANGELO SERIA RESPONSÁVEL PELO TRANSPORTE DO DINHEIRO
Amigo de Sérgio Ricardo desde a Assembleia Legislativa, o servidor Adriangelo Barros Antunes , segundo a decisão, teria atuado no transporte e na circulação do dinheiro sacado em espécie. A PF relata que, em 14 de outubro de 2025, observou um homem com características compatíveis com as dele entrar no posto bancário do TCE-MT com uma mochila vazia, sair aparentemente com ela carregada e seguir para as dependências do Tribunal. O próprio documento ressalva que os registros visuais tinham limitações.
A decisão também afirma que Adriangelo teria recebido cerca de R$ 2,28 milhões a partir de setembro de 2025 e recolhido parte do dinheiro sacado por Roseli Loss. Parte dos valores que entrou em suas contas teria sido transferida à esposa, à filha e a uma terceira pessoa não identificada — movimentação que a investigação interpretou como possível tentativa de ocultação.
Com base nessa atuação operacional atribuída a ele e no risco de continuidade das condutas e de interferência na investigação, o ministro também decretou sua prisão preventiva.
O mecanismo é descrito como hipótese investigativa, não como fato definitivamente comprovado e não representam uma condenação.
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