O número de pessoas mortas em decorrência de intervenções policiais caiu 33,2% em Mato Grosso entre 2024 e 2025, segundo painel de dados desenvolvido pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). Foram 214 mortes em 2024 e 143 no ano passado.
A queda consta de um painel lançado pelo MPMT para reunir estatísticas sobre letalidade policial. Os dados, porém, não informam quantas das mortes foram consideradas legítimas ou ilegais, nem permitem atribuir responsabilidade aos policiais envolvidos.
A ferramenta passa a concentrar informações que o Ministério Público pretende usar para acompanhar a evolução da letalidade policial no Estado. O órgão afirma que novos recortes e atualizações serão incorporados ao painel.
A promotora de Justiça Nathalia Moreno Pereira, coordenadora adjunta do setor responsável pelo levantamento, afirma que a redução precisa ser analisada além dos números absolutos. “Para compreender o fenômeno, é essencial considerar a série histórica, as taxas e a distribuição territorial das ocorrências”.
O painel não faz, neste momento, uma distinção entre mortes decorrentes de ações policiais consideradas legais e aquelas que eventualmente possam resultar em responsabilização dos agentes. Essa avaliação depende da análise de cada ocorrência e das provas reunidas nos procedimentos.
A subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão, Anne Karine Louzich Hugueney Wiegert, afirmou que os dados estatísticos não permitem concluir sobre a legalidade das ações. “Os indicadores descrevem a ocorrência do evento, mas não explicam suas circunstâncias”, disse.
O levantamento é acompanhado por um comitê que reúne instituições ligadas à segurança pública e ao Ministério Público. O grupo discute medidas de prevenção da letalidade policial, protocolos de atuação e compartilhamento de informações.
Para o promotor Luiz Fernando Rossi Pipino, responsável pela área criminal e pelo controle externo da atividade policial, a qualidade dos dados é uma questão central. “O painel foi concebido justamente para garantir transparência com rigor metodológico”, afirmou.
A queda de 71 mortes em um ano representa uma redução significativa no número absoluto de registros, mas o painel ainda não permite saber, apenas a partir desse indicador, quais fatores contribuíram para a mudança.
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