O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, revogou a prisão preventiva de Michael Richard da Silva Almeida, “braço direito” do tesoureiro do Comando Vermelho em Mato Grosso, Paulo Witter Farias Pelo, o WT. O réu é investigado por participação em organização criminosa e lavagem de capitais após ter sido alvo da Operação Fair Play, derivada da Operação Apito Final.
A prisão foi substituída por cumprimento de medidas cautelares após o magistrado acolher parecer favorável do Ministério Público nesta terça-feira (28). Entre as medidas estão o uso de tornozeleira eletrônica por seis meses e outras restrições, como comparecimento mensal em juízo, atualização de endereço, proibição de deixar a comarca sem comunicação prévia e impedimento de manter contato ou realizar transações bancárias com os demais investigados e réus do processo.
De acordo com as acusações, mesmo sem vínculos empregatícios, Michael Richard movimentou, em dois anos, R$ 321.662,25 em crédito e R$ 326.884,92, em débito. Além disso, ele emprestou seu nome para 'WT' adquirir um Toyota Corolla avaliado em R$ 180 mil na época.
Na decisão, Bezerra lembrou que a prisão preventiva foi decretada porque o réu não compareceu à Central de Monitoramento para instalação da tornozeleira eletrônica após ter obtido liberdade provisória em dezembro de 2024.
Apesar disso, Jean Garcia de Freitas Bezerra considerou que houve mudança no cenário processual. Ele destacou que, em setembro de 2025, na ação penal decorrente da Operação Fair Play, o réu recebeu o direito de recorrer em liberdade, sem imposição de novas cautelares. Posteriormente, em dezembro de 2025, outra sentença vinculada ao caso também autorizou que ele recorresse em liberdade.
"A gravidade abstrata dos fatos, por si só, não autoriza a manutenção da prisão preventiva quando as circunstâncias supervenientes demonstram que medidas menos gravosas se revelam suficientes e adequadas para resguardar os interesses da persecução penal no atual estágio do processo, em observância ao princípio da proporcionalidade e à regra da excepcionalidade da custódia cautelar. Impõe-se, portanto, acolher a manifestação ministerial, revogando a prisão preventiva e reimpondendo as medidas cautelares diversas, com fixação de prazo para cumprimento imediato do monitoramento eletrônico, o que se apresenta como resposta proporcional e adequada ao atual estado do processo", finalizou Bezerra.
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OPERAÇÃO APITO FINAL
Em uma investigação que durou quase 2 anos, a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) apurou centenas de informações e análises financeiras que possibilitaram comprovar o esquema liderado por Paulo Witer para lavar o dinheiro obtido com o tráfico de drogas. Para isso, ele usou comparsas, familiares e testas de ferro na aquisição de bens móveis e imóveis para movimentar o capital ilícito e dar aparência legal às ações criminosas.
A operação foi deflagrada no dia 2 de abril, com a finalidade de descapitalizar a organização criminosa e cumprir 54 ordens judiciais que resultaram na prisão de 20 alvos, entre eles o líder do grupo, identificado como tesoureiro da facção, além de responsável pelo tráfico de entorpecentes na região do Jardim Florianópolis, onde ele montou uma base para difundir e promover a facção criminosa agindo também com assistencialismo por meio da doação de cestas básicas a eventos esportivos.
A investigação da Gerência de Combate ao Crime Organizado apurou que o esquema movimentou R$ 65 milhões na aquisição de imóveis e veículos. As transações incluíram ainda criação de times de futebol amador e a construção de um espaço esportivo, estratégias utilizadas pelo grupo para a lavagem de capitais e dissimulação do capital ilícito.
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