10h10 - Continuando o depoimento, o delegado Guilherme Negri afirmou que a Polícia Civil percebeu que Romero Xavier Mengarde não seria o autor direto do crime, por ele ter álibi detalhado e consistente sobre seus deslocamentos no dia e horário do homicídio. Então as investigações passaram a analisar provas técnicas e digitais, como vestígios deixados no local, indícios relacionados ao uso de internet e possíveis acessos a redes wi-fi, além de outros elementos periciais coletados na residência da vítima.
O que chamou a atenção da equipe foi o fato de que Romero teria construído cuidadosamente um álibi, incluindo idas em casas de prostituição. A investigação passou a buscar quem teria motivação para cometer o homicídio e de que forma o crime foi praticado. Foi realizado um extenso trabalho de campo e mais de 150 pessoas foram entrevistadas.
O delegado afirmou que Rodrigo Mengarde ficou à espreita de Raquel Cattani dentro da residência antes do crime. Raquel percebeu a presença dele pelo forte cheiro. Ao sentir o odor estranho, a vítima passou a procurar a origem do cheiro, falando em voz alta. Quando ela se dirigiu ao quarto para verificar, Rodrigo a surpreendeu e desferiu diversos golpes de faca.
Após o crime, segundo o depoimento, o réu forjou a cena, revirando apenas o quarto da vítima, deixando uma televisão do lado de fora da casa e, em seguida, fugiu com a motocicleta.
Drurante a oitiva, a testemunha destacou que chamou a atenção o fato de Romero se mostrar astuto, calculista e frio, com comportamento melindroso e atento, com respostas pensadas e demoradas, observando constantemente o interlocutor. Outro ponto destacado foi a ausência de reação emocional, aparentando ser uma pessoa “esperta” e “malandra”.
09h33 - O delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri, primeira testemunha ouvida no Tribunal do Júri, relatou que a Polícia Civil mobilizou equipes imediatamente após a suspeita de feminicídio contra Raquel Cattani.
Negri afirmou que Romero Xavier Mengarde se apresentou espontaneamente às autoridades e foi interrogado para esclarecer sua rotina no dia do crime. As investigações apontaram que ele esteve em três casas de prostituição e que câmeras registraram seu veículo deixando Tapurah em direção ao local onde Raquel foi morta.
Ao chegar à residência da vítima, o delegado encontrou a cena preservada e sinais de arrombamento, incluindo uma janela amassada nos fundos. Uma televisão do lado de fora, marcada por uma bota, reforçou a hipótese de invasão. Raquel foi encontrada caída entre o quarto e o banheiro, com múltiplas lesões de defesa provocadas por faca.
Negri destacou que apenas o quarto da vítima estava revirado, o que levantou suspeita de tentativa de forjar o cenário, já que outros cômodos e objetos permaneciam intactos. Ele também informou que o autor circulou descalço pela casa, deixando marcas de sangue no chão.
O Tribunal do Júri da Comarca de Nova Mutum (241 km de Cuiabá) iniciou, na manhã desta quinta-feira (22), o julgamento de Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde, acusados de envolvimento na morte da produtora rural Raquel Maziero Cattani, assassinada a facadas em 18 de julho de 2024, na zona rural do município. Raquel era filha do deputado estadual Gilberto Cattani (PL).
A sessão ocorre no plenário do Fórum local e é presidida pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, titular da 3ª Vara.
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Rodrigo teria sido o responsável por executar o crime, enquanto Romero, ex-marido da vítima, é apontado como autor intelectual. O caso mobiliza grande atenção pública devido à gravidade dos fatos e às circunstâncias do homicídio.
A acusação é conduzida pelos promotores de Justiça João Marcos de Paula Alves e Andreia Monte Alegre Bezerra de Menezes. A defesa dos réus está a cargo da Defensoria Pública do Estado, representada pelos defensores Guilherme Ribeiro Rigon, que atua em favor de Rodrigo, e Mauro Cezar Duarte Filho, responsável pela defesa de Romero.
A sessão foi aberta com a leitura do termo de apregoamento, marcando o início formal dos trabalhos do Tribunal do Júri. Os réus foram apresentados e confirmada a composição das partes envolvidas. Em seguida, foi realizado o sorteio dos sete jurados que compõem o Conselho de Sentença, formado por dois homens e cinco mulheres.
A juíza também reforçou que o caso envolve temas sensíveis, relacionados à vida e à liberdade, e pediu serenidade e imparcialidade para assegurar a regularidade do processo.
* Com informações do TJMT
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