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Justiça Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2026, 11:05 - A | A

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Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2026, 11h:05 - A | A

CASO RAQUEL CATTANI

Investigação detalha perfil obsessivo e controlador de ex-marido da vítima

Romero e Rodrigo Mengarde são julgados por homicídio qualificado; ex-marido é apontado como autor intelectual do crime

ANDRÉ ALVES
Da Redação

10h58 - O delegado Pimenta Negri contou o histórico de perseguição, controle e "tortura psicológica" de Romero Mengarde contra a ex-esposa, Raquel Cattani, antes do seu feminicídio. A investigação traça o retrato de um comportamento obsessivo que culminou no crime.

Entre as características mencionadas em depoimento estão a vigilância constante. Testemunhas descreveram que, mesmo após a separação, era obcecado pela rotina de Raquel, exercendo vigilância sobre com quem ela se relacionava e onde estava. Outro ponto levantado foi a violência psicológica. Embora não houvesse registros de agressões físicas anteriores, o delegado afirmou que Raquel viveu anos sob pressão psicológica e tratamento desrespeitoso, o que classificou como uma forma de tortura com reflexos negativos inclusive para os filhos.

Sinais da premeditação do crime surgiram quando, poucas semanas antes do feminicídio, ele teria aparecido de surpresa e à noite no sítio onde a vítima estava, causando-lhe choque e medo, já que ele não residia no local. O medo de Raquel era notório entre pessoas próximas. Uma vizinha e confidente relatou que a vítima chegou a prever o próprio fim, afirmando dias antes: “Se acontecer alguma coisa comigo, foi ele, mas Deus não vai deixar”.

10h10 - Continuando o depoimento, o delegado Guilherme Negri afirmou que a Polícia Civil percebeu que Romero Xavier Mengarde não seria o autor direto do crime, por ele ter álibi detalhado e consistente sobre seus deslocamentos no dia e horário do homicídio. Então as investigações passaram a analisar provas técnicas e digitais, como vestígios deixados no local, indícios relacionados ao uso de internet e possíveis acessos a redes wi-fi, além de outros elementos periciais coletados na residência da vítima.

O que chamou a atenção da equipe foi o fato de que Romero teria construído cuidadosamente um álibi, incluindo idas em casas de prostituição. A investigação passou a buscar quem teria motivação para cometer o homicídio e de que forma o crime foi praticado. Foi realizado um extenso trabalho de campo e mais de 150 pessoas foram entrevistadas.

O delegado afirmou que Rodrigo Mengarde ficou à espreita de Raquel Cattani dentro da residência antes do crime. Raquel percebeu a presença dele pelo forte cheiro. Ao sentir o odor estranho, a vítima passou a procurar a origem do cheiro, falando em voz alta. Quando ela se dirigiu ao quarto para verificar, Rodrigo a surpreendeu e desferiu diversos golpes de faca.

Após o crime, segundo o depoimento, o réu forjou a cena, revirando apenas o quarto da vítima, deixando uma televisão do lado de fora da casa e, em seguida, fugiu com a motocicleta.

Drurante a oitiva, a testemunha destacou que chamou a atenção o fato de Romero se mostrar astuto, calculista e frio, com comportamento melindroso e atento, com respostas pensadas e demoradas, observando constantemente o interlocutor. Outro ponto destacado foi a ausência de reação emocional, aparentando ser uma pessoa “esperta” e “malandra”.

09h33 - O delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri, primeira testemunha ouvida no Tribunal do Júri, relatou que a Polícia Civil mobilizou equipes imediatamente após a suspeita de feminicídio contra Raquel Cattani.

Negri afirmou que Romero Xavier Mengarde se apresentou espontaneamente às autoridades e foi interrogado para esclarecer sua rotina no dia do crime. As investigações apontaram que ele esteve em três casas de prostituição e que câmeras registraram seu veículo deixando Tapurah em direção ao local onde Raquel foi morta.

Ao chegar à residência da vítima, o delegado encontrou a cena preservada e sinais de arrombamento, incluindo uma janela amassada nos fundos. Uma televisão do lado de fora, marcada por uma bota, reforçou a hipótese de invasão. Raquel foi encontrada caída entre o quarto e o banheiro, com múltiplas lesões de defesa provocadas por faca.

Negri destacou que apenas o quarto da vítima estava revirado, o que levantou suspeita de tentativa de forjar o cenário, já que outros cômodos e objetos permaneciam intactos. Ele também informou que o autor circulou descalço pela casa, deixando marcas de sangue no chão.

O Tribunal do Júri da Comarca de Nova Mutum (241 km de Cuiabá) iniciou, na manhã desta quinta-feira (22), o julgamento de Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde, acusados de envolvimento na morte da produtora rural Raquel Maziero Cattani, assassinada a facadas em 18 de julho de 2024, na zona rural do município. Raquel era filha do deputado estadual Gilberto Cattani (PL).

A sessão ocorre no plenário do Fórum local e é presidida pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, titular da 3ª Vara.

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Rodrigo teria sido o responsável por executar o crime, enquanto Romero, ex-marido da vítima, é apontado como autor intelectual. O caso mobiliza grande atenção pública devido à gravidade dos fatos e às circunstâncias do homicídio.

A acusação é conduzida pelos promotores de Justiça João Marcos de Paula Alves e Andreia Monte Alegre Bezerra de Menezes. A defesa dos réus está a cargo da Defensoria Pública do Estado, representada pelos defensores Guilherme Ribeiro Rigon, que atua em favor de Rodrigo, e Mauro Cezar Duarte Filho, responsável pela defesa de Romero.

A sessão foi aberta com a leitura do termo de apregoamento, marcando o início formal dos trabalhos do Tribunal do Júri. Os réus foram apresentados e confirmada a composição das partes envolvidas. Em seguida, foi realizado o sorteio dos sete jurados que compõem o Conselho de Sentença, formado por dois homens e cinco mulheres.

A juíza também reforçou que o caso envolve temas sensíveis, relacionados à vida e à liberdade, e pediu serenidade e imparcialidade para assegurar a regularidade do processo.

* Com informações do TJMT

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