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Política Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2026, 09:52 - A | A

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Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2026, 09h:52 - A | A

CONTRATOS DE SANGUE

Médico que executou colegas em SP possui milhões em contratos com a Saúde de MT

Carlos Alberto Azevedo Filho, dono da Cirmed, gerencia UTIs e serviços de diálise em hospitais regionais de Mato Grosso. Crime em Barueri teria sido motivado por disputa em licitações.

DA REDAÇÃO

O médico Carlos Alberto Azevedo Filho, preso em flagrante na última sexta-feira (16) por assassinar dois colegas de profissão em um restaurante de luxo em Barueri (SP), figura entre os prestadores de serviços da Saúde em Mato Grosso. A empresa do atirador, a Cirmed Serviços Médicos Ltda, mantém contratos com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) que ultrapassam os R$ 15 milhões.

Reprodução

Médico que executou colegas possui milhões em contratos com a Saúde de MT

 No extrato do Contrato publicado no Diário Oficial, Carlos Alberto figura como representante legal da empresa. 

O crime, que vitimou os médicos Luís Roberto Pellegrini Gomes e Vinícius dos Santos Oliveira, teria sido motivado justamente por "guerra de licitações", o mesmo mercado em que Carlos Alberto atua com força em solo mato-grossense.

A capilaridade da Cirmed em Mato Grosso impressiona pelo montante em valores. Somente em janeiro deste ano, a empresa assinou um contrato de R$ 5,4 milhões com a SES-MT para serviços de nefrologia. No extrato do Contrato publicado no Diário Oficial, Carlos Alberto figura como representante legal da empresa. 

Além disso, a empresa faz a gestão de UTIs e escalas médicas no Hospital Regional de Rondonópolis (a cerca de 210 km de Cuiabá), com contrato de R$ 4,2 milhões para gestão de UTI Adulto. E atua na prestação de serviços para mais quatro Regionais, sendo Sorriso, Sinop, Alta Floresta e Colíder. 

Na capital, é reponsável pelo fornecimento de mão de obra médica do Hospital Adauto Botelho, e atende por meio de contrato com a gestão estadual, a Santa Casa. 

A empresa do médico atirador também operava na Grande São Paulo via Fundação ABC, entidade que foi alvo da Operação Estafeta da Polícia Federal em julho de 2025. A investigação apura um esquema de propinas em contratos de gestão hospitalar. Embora a Cirmed não tenha sido o alvo principal daquela operação, a PF investiga se a "rixa" que levou ao duplo homicídio nasceu de acertos de contas sobre esses repasses públicos.

O CRIME E A MOTIVAÇÃO

Câmeras de segurança registraram o momento em que Carlos Alberto executou os concorrentes após uma breve conversa em um restaurante. Segundo o delegado Andreas Schiffmann, a disputa era comercial. Uma das vítimas gerenciava empresa que competia diretamente com a Cirmed por contratos públicos.

“Os familiares relataram que já havia essa rixa e ameaças. Eles eram concorrentes diretos no mercado de licitações”, confirmou o delegado. 

OUTRO LADO

A Cirmed emitiu nota tentando blindar a operação da empresa, afirmando que o crime foi um "fato pessoal" do sócio e que os serviços em MT não serão interrompidos.

Já a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), procurada pelo HNT,  ainda não se manifestou sobre a manutenção de contratos com o empresário. O espaço segue aberto. 

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