O deputado Fábio Tardin (PSB) anunciou a renúncia à titularidade suplente de todas as comissões permanentes das quais foi indicado sem sua autorização. Em discurso inflamado, na sessão desta quarta-feira (4), afirmou que acordos firmados dentro do bloco parlamentar foram rompidos de forma unilateral pela liderança exercida pelo deputado Dr. Eugênio (PSB), a quem acusou de não honrar compromissos assumidos no início da legislatura.
O debate sobre a nomeação das comissões permanentes da Assembleia Legislativa de Mato Grosso foi escancarado na última semana, com a exclusão de Eduardo Botelho (UB), da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), da qual ele era presidente. E ganhou corpo a partir da reclamação de Tardin, com discursos duros, acusações de traição política e ameaça de judicialização.
“Hoje eu subo aqui nessa tribuna com uma mistura, um misto de indignação, de como não se fazer política, infelizmente cada dia está pior, ninguém honra mais a sua palavra”, afirmou Tardin em referência ao correligionário e presidente do bloco parlamentar que ele compõe.
Segundo Tardin, o motivo do descontentamento dele também reside na CCJR, ele conta que havia um acordo para alternância como membro titular da Comissão, que não foi respeitado. “A palavra que o senhor [Eugênio] não honrou foi a maior covardia e traição”, disparou, exigindo que a Mesa Diretora retirasse seu nome de todas as comissões.
O embate ganhou reforço com a manifestação de Janaina Riva (MDB) que classificou como “absurda” a publicação de comissões sem instalação formal e sem eleição dos presidentes, especialmente na CCJR, considerada a mais importante da Casa.
Riva alertou que, se o processo não for corrigido, o bloco o qual preside poderá recorrer à Justiça. “A judicialização é ruim, mas acontece quando a Casa não resolve seus próprios problemas”, afirmou.
Ela ainda provocou o presidente da Casa, Max Russi (PSB), a intervir para “recolocar a Casa nos trilhos” e determinar a imediata instalação das comissões com eleição regular.
“Patrolar o ex-presidente da Assembleia, [Eduardo] Botelho, que saiu agora da CCJ, revolta, porque foi imposto, porque, na eleição, todo mundo sabe que ele ganhava, isso aí é sorrateiro, é ridículo para a Assembleia.”, avançou Janaina.
E ainda alertou que o episódio expõe a Assembleia à opinião pública como um Parlamento “desorganizado e desrespeitoso com as próprias regras”.
Botelho, o primeiro a se levantar sobre a composição das comissão, endossou Janaina na cobrança à Russi. “Não podemos tirar essa casa do rumo, principalmente, de cumprir o que é o nosso regimento.”
Gilberto Cattani (PL) também engrossou o coro dos descontentes. “Eu só quero que me somar a todos que estão falando sobre as comissões, porque eu também fui sacaneado aqui, dentro de um combinado.”
De acordo com o parlamentar ele também teria sofrido com uma “traição”. Ele relatou que seu grupo abriu mão de manter um bloco independente após receber a garantia de que participaria de comissões estratégicas, como Segurança Pública e Agricultura, áreas diretamente ligadas à atuação dos parlamentares.
“Nós combinamos, combinei com o Dilmar, e depois, simplesmente, sem avisar, sem falar nada, nós não somos mais presidente de nada, não temos mais nossa comissão, não temos mais nada. Eu mesmo fiquei sem nada”, declarou, acrescentando que não poderia deixar de se posicionar ao se sentir “sacaneado”.
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