O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) saiu em defesa do ex-governador e pré-candidato ao Senado Mauro Mendes (UB) após a divulgação do portal ‘O Globo’ de que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) apura supostas irregularidades no credenciamento do Banco Master para operar o programa de cartões consignados no estado. A investigação, que corre em sigilo a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), analisa se houve favorecimento à instituição financeira durante a gestão de Mendes em 2023.
Ao comentar o caso, Pivetta minimizou o impacto da apuração e reiterou sua confiança na conduta do ex-governador.
“Ninguém está livre de ser investigado, né? A lei está acima de todos nós. Todos nós estamos sujeitos a isso. Eu confio no Mauro Mendes, nesse período muitas coisas acontecem além da verdade. Então, vamos aguardar os fatos, vamos aguardar a justiça. A justiça sempre prevalece”, afirmou o governador.
Questionado se o episódio poderia afetar a viabilidade eleitoral de Mendes, Pivetta foi enfático: “Eu não acredito [que irá interferir na campanha de Mauro]. Eu não acredito porque eu confio nele. Eu sei que ele não tem culpa no cartório”.
A investigação do STJ foca em um processo de habilitação classificado por fontes da investigação como "relâmpago". Segundo os registros, em 5 de maio de 2023, um decreto assinado por Mauro Mendes estabeleceu uma margem consignável exclusiva de 10% para cartões de benefícios destinados a servidores e pensionistas de Mato Grosso.
Apenas três dias depois, o Banco Master solicitou o credenciamento e, em menos de uma semana, o governo estadual emitiu parecer favorável, abrindo caminho para o início das operações do Credcesta. Mauro Mendes, por sua vez, nega qualquer irregularidade e sustenta que todos os atos de sua gestão seguiram estritamente a legalidade e os princípios da administração pública.
O ex-governador pontuou que outras 24 instituições financeiras foram credenciadas durante seu mandato e que a modalidade já havia sido implementada em pelo menos dez outros estados brasileiros. Segundo Mendes, o Banco Master era "apenas mais um" e não foi o primeiro a obter aprovação, reforçando que o governo de Mato Grosso preza pela eficiência administrativa.
No cenário mato-grossense, a operação do Credcesta enfrenta resistência jurídica. Sete sindicatos de servidores públicos questionam o programa na Justiça, alegando problemas que vão desde o superendividamento até contratos com cláusulas pouco claras. Estima-se que mais de 15 mil servidores ativos e aposentados no estado tenham enfrentado dificuldades com o serviço.
Enquanto a defesa de Mendes reafirma a transparência do processo, o STJ segue com a apuração para determinar se o rito de aprovação e a ampliação da margem consignável em Mato Grosso seguiram os padrões regulatórios exigidos.
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