O deputado estadual Carlos Avallone (PSDB) avaliou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) "abandonou" seus 60 milhões de eleitores ao deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos, onde está no momento. Para Avallone, Flávio "fugiu da raia" antes do tempo. No domingo (25) Flávio saiu derrotado das eleições presidenciais de 2026 quando os brasileiros escolheram Lula (PT) para um quarto mandato. No mesmo dia, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou o recolhimento dos passaportes de Flávio a pedido da Polícia Federal. Dois dias depois, nesta terça, Flávio conseguiu driblar as autoridades e saiu do país com a ajuda do governo argentino e ultradireitista de Javier Milei, que não reconheceu a vitória de Lula.
"Talvez eu seja um dos poucos que não concordam nem com a direita bolsonarista e muito menos com a esquerda, que aí está. Então eu não quis dar muito palpite, não quis influenciar muito nos votos porque eu sou um cara de centro e queria uma outra alternativa para o Brasil. Acho que aí os Bolsonaros atrapalharam em Tarcísio ser o nosso candidato que eu acho que ganhava no primeiro turno. Então essa briga, essa história de falar só se der o meu sangue para ser candidato estranha muito em posições como essa. E ainda depois a pessoa sair para o Brasil, tendo 60 milhões de votos e sendo senador da República e tendo um congresso eleito pela direita, os 60 milhões com certeza deveriam se sentir abandonados por isso", disparou Carlos Avallone.
Avallone acrescentou que Flávio, com maioria em plenário e 60 milhões de votos, "correu da raia antes de enfrentar a briga". O deputado condenou ainda a narrativa de que Flávio teria fugido do país em virtude de uma perseguição política. Avallone relembrou a prisão de Lula no bojo da Lava-Jato, ocasião em que os apoiadores do presidente também alegavam que o petista era perseguido.
"O PT falou há muito tempo que foi uma perseguição para o Lula. O PL ou a direita bolsonarista fala que é uma perseguição aos Bolsonaros. A lei está aí, está prendendo dos dois lados, está criando problemas dos dois lados, está cumprindo o papel", disse.
Flávio é investigado em duas frentes no STF. A primeira tem relação com o caso Dark Horse e o pedido de doação milionária de Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master, supostamente para a produção da biografia cinematográfica do ex-presidente da República e pai do senador, Jair Bolsonaro (PL). A segunda diz respeito à sociedade de Flávio com o advogado Willer Tomaz. Ambos são suspeitos de lavagem de dinheiro.
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