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Economia Quarta-feira, 28 de Outubro de 2026, 14:00 - A | A

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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2026, 14h:00 - A | A

Abimaq: receita líquida total do setor cresceu 1,6% em setembro ante agosto

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos registrou receita líquida de vendas de R$ 23,44 bilhões em setembro de 2026, segundo a Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Na comparação com agosto de 2026, houve reação pontual de 1,6% em termos reais, ou alta de 2,8% após ajuste sazonal. Já frente a setembro de 2025, a receita apresentou queda de 15,6%.

Com o resultado, o desempenho do setor no ano se deteriorou já que no acumulado de janeiro a setembro de 2026, a receita líquida total caiu 13,4% em valores constantes ante o mesmo período de 2025.

De acordo com a Abimaq, o quadro negativo reflete a compressão tanto do mercado doméstico, sob juros elevados, quanto do mercado externo. Embora as exportações tenham crescido 5,5% em dólares e o quantum, avançado 1,8%, a valorização do real frente ao dólar reduziu as receitas convertidas em moeda nacional, com queda de 5,8%.

Política Monetária

No mercado doméstico, de acordo com a Abimaq, a política monetária restritiva com a taxa Selic em 13,75% ao ano continua limitando as decisões de investimento em máquinas e equipamentos.

"O elevado custo do crédito reduz a alavancagem financeira, encarece o serviço das dívidas e desestimula a Formação Bruta de Capital Fixo", observa a entidade.

No acumulado de janeiro a setembro, a receita obtida no mercado interno totalizou R$ 148,74 bilhões, acumulando uma queda de 15,8% em valores constantes ante o mesmo período de 2025. Dentre as atividades econômicas monitoradas a única a registrar aumento nas aquisições de máquinas e equipamentos produzidas localmente em 2026 foi a relacionada a infraestrutura e indústria de base.

Consumo aparente

Os investimentos em máquinas e equipamentos medidos pelo consumo aparente, indicador que soma a produção interna destinada ao mercado doméstico às importações absorvidas internamente, descontadas as exportações, estabilizaram em setembro na comparação com agosto, segundo a Abimaq.

Em valores, o consumo aparente somou R$ 31,81 bilhões em setembro, mostrando uma queda de 4,4% ante os R$ 33,28 bilhões em agosto, refletindo, de acordo com a entidade, enfraquecimento na aquisição de máquinas e equipamentos produzidos localmente e também importadas.

Na comparação com setembro de 2025, o consumo aparente recuou 12,5% em valores constantes. No acumulado de janeiro a setembro de 2026, a medida registrou
queda de 19,2% frente ao mesmo período do ano anterior, sinalizando perda de fôlego dos investimentos ao longo do ano.

Exportações

As exportações brasileiras de máquinas e equipamentos voltaram a crescer em setembro, após recuo em agosto, segundo a Abimaq. No mês, as vendas externas somaram US$ 1,34 bilhão, avanço de 12,8% em relação a agosto. Na comparação com setembro de 2025, a entidade aponta variação próxima da estabilidade, com alta de 0,8%.

No acumulado de janeiro a setembro de 2026, as exportações totalizaram US$ 10,15 bilhões, o que representa expansão de 5,5% ante igual período de 2025. Já no recorte de 12 meses até setembro, o crescimento foi de 8,9%.

A Abimaq atribui parte do desempenho à base fraca do início de 2025, mas também à ampliação de vendas para diversos mercados. Pelo recorte setorial no ano, houve avanços em componentes para bens de capital, máquinas para logística e construção civil, infraestrutura e indústria de base, indústria de transformação e agricultura. As exceções, com retração no acumulado, foram máquinas para bens de consumo, em 6,2%, e equipamentos para petróleo e energia renovável.

Entre os destinos no acumulado do ano, os Estados Unidos seguem na liderança, com US$ 2,58 bilhões, aumento de 6,4%. Em seguida aparece a Argentina, com US$ 1,05 bilhão, mostrando uma queda de 12,3%. Também se destacam Cingapura, com US$ 668,5 milhões e aumento de 7,7%. Paraguai, com US$ 543,4 milhões, avançou 16,8%, e México, com US$ 446,6 milhões, cresceu 6,5%.

Apesar do crescimento menos intenso, a América do Sul permaneceu como principal bloco regional de destino.

Importações

Do lado das importações, as compras externas do setor somaram US$ 2,79 bilhões em setembro, queda de 6,1% ante agosto, mas alta de 1,3% na comparação anual. No acumulado de janeiro a setembro, as importações alcançaram US$ 24,99 bilhões, com crescimento de 4,8%; em 12 meses, a elevação foi de 5,4%.

Com isso, a balança de máquinas ficou deficitária em US$ 14,84 bilhões no ano, piora de 4,3%.

A Abimaq destaca expansão puxada por compras para petróleo, 70,9%, e logística e construção civil, com alta de 18,9%, elevando o coeficiente de penetração das importadas a 47,6% ante 45,1% na leitura anterior. A China manteve liderança nas origens: US$ 9,01 bilhões, alta de 17,7%, com participação de 36,0% do total; EUA, US$ 3,66 bilhões e queda de 2%, Alemanha com US$ 2,88 bilhões e redução de 0,7% e Itália e Japão também recuaram. Excluída a China, as importações cairiam 1,3% em 2026.

Nuci

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria de máquinas e equipamentos ficou em 79,5% em setembro de 2026, praticamente estável na comparação com agosto, quando marcou 79,6%, segundo dados divulgados pela Abimaq. Em relação a setembro de 2025, o indicador teve leve alta de 0,2 ponto porcentual, de 79,3%.

No acumulado do ano, a entidade informa que, em média, o setor operou com 78,7% da capacidade instalada em 2026, sugerindo um patamar de utilização ainda relativamente elevado, mas sem aceleração relevante na margem.

Já a carteira de pedidos avançou e passou a representar o equivalente a 10,3 semanas de trabalho em setembro. O volume é 2,4% maior do que o observado em agosto e 16,6% superior ao de setembro do ano passado, indicando recomposição do pipeline de encomendas.

Na média de 2026, a carteira ficou em 9,4 semanas de atividade, o que representa alta de 2,4% frente à média de 2025.

De acordo com a Abimaq, o comportamento da carteira ao longo do ano reflete sustentação trazida por encomendas de máquinas voltadas a infraestrutura, ajudando a manter o nível de atividade mesmo com um ambiente mais desafiador para parte da demanda doméstica.

(Com Agência Estado)

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