O vereador por Várzea Grande, Caio Cordeiro (Novo) afirmou durante depoimento que o presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), ofereceu R$ 10 mil por mês para que ele fizesse parte de seu grupo político, em uma espécie de “mensalinho”. Além disso, o presidente também teria feito uma oferta de R$100 mil para que ele votasse favorável à sua recondução à presidência da Mesa Diretora.
As afirmações foram feitas durante a investigação coordenada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), que deflagrou, nesta terça-feira (20), a Operação Cathedra Venalis e mirou 15 vereadores, sendo 13 de Várzea Grande e dois de Cuiabá.
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Conforme Caio Cordeiro, os R$ 10 mil ofertados viriam de uma empresa que tem contrato com a Prefeitura de Várzea Grande. No depoimento, porém, Caio diz que não poderia dizer se a mesma oferta foi feita a outros vereadores. Ainda conforme o depoimento, Caio revelou que essa não foi a única vantagem oferecida por Wanderley.
Durante busca de apoio para a reeleição da Mesa Diretora, Wanderley ofereceu, supostamente, R$ 100 mil em dinheiro para ganhar o voto favorável de Caio. O valor, segundo o vereador, estava guardado em uma sacola em um escritório na casa da mãe de Wanderley.
No depoimento, Caio afirmou ter negado a proposta e identificou a casa como sendo o local em que eram realizadas reuniões e negociações políticas. Ele afirmou aos investigadores ter ciência da existência de outra reunião entre os vereadores em uma chácara vinculada ao vereador Dr. Miguel Júnior (Cidadania), às vésperas da eleição, que ocorreu em maio.
Na ocasião, Wanderley teria dito já possuir quatorze votos e informado que os integrantes de sua chapa seriam levados ao local antes da votação. Wanderly foi reeleito em maio deste ano para presidir a Mesa Diretora até 2028 por 12 votos a 11.
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RETALIAÇÕES E AMEAÇAS
Conforme o relatório do Gaeco, indícios de mecanismos de pressão, constrangimento e retaliação foram identificados após a negativa de Caio à Wanderley.
“A oitiva também revelou indícios da utilização de mecanismos de pressão, constrangimento e retaliação contra vereadores que se opusessem ao grupo ou às pautas de seu interesse”, diz trecho do relatório.
Entre as ações citadas por Caio estão a exoneração de servidores do seu gabinete, pressão política para que ele saísse da TV Cidade Verde, onde trabalhava como jornalista e ameaça de exposição.
Segundo Caio, Wanderley ameaçou divulgar um vídeo como se estivesse recebendo dinheiro. Aos investigadores, ele admitiu ter feito empréstimos pessoais com o presidente da Casa.
CPI IMPEDIDA, FURTO DE DOCUMENTOS E CASSAÇÃO DE MANDATO
Outra retaliação sofrida por Caio foi no âmbito da atuação dentro da Câmara ao tentar instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o transporte coletivo municipal.
Segundo Caio, matérias legislativas relacionadas à empresa foram sistematicamente impedidas de avançar na Casa, o que impediu a fiscalização da relação da empresa com a Prefeitura.
No relato, Caio afirmou possuir gravações de conversas em que é sugerida a retirada da CPI mediante vantagem financeira. No arquivo, umas das pessoas teria chegado a afirmar que R$ 2 milhões seria insuficiente para solucionar a questão.
Ainda segundo o depoimento, ao insistir na investigação, Caio teria se tornado alvo do grupo de Wanderley, que teria tentado cassar o seu mandato ao encaminhá-lo à Comissão de Ética da Câmara.
Caio ainda relatou um episódio em que sua mochila com notebook pessoal, documentos relacionados à CPI, inclusive com assinaturas para instauração e gravação de conversa com Wanderley oferecendo dinheiro foram furtados.
Dias depois do furto, Caio teria recebido contato de pessoa não identificada que demonstrava conhecimento do notebook e exigia a retirada do boletim de ocorrência, acompanhando a exigência com ameaças e com o envio da imagem de uma arma de fogo. Caio, afirmou, porém, que não era possível provar quem mandou furtar.
O relatório embasou a Operação Cathedra Venalis em que foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão em três municípios e mobilizou mais de 200 policiais.
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