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Justiça Quarta-feira, 21 de Outubro de 2026, 13:41 - A | A

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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2026, 13h:41 - A | A

OPERAÇÃO CATHEDRA VENALIS

"Testemunha sem rosto" ajudou a derrubar suposto esquema de corrupção em VG

Testemunha com identidade protegida relatou uma série de irregularidades apuradas no âmbito da Operação Cathedra Venalis

ANDRÉ ALVES
Da Redação

Reprodução/Câmara VG

Câmara de Várzea Grande

A figura de uma "testemunha sem rosto" aparece no inquérito do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) como um dos denunciantes de suposto esquema de corrupção instalado na Câmara de Várzea Grande. Relatório aponta que o depoente, que preferiu manter a identidade sob proteção, delatou ao Ministério Público existência de organização criminosa liderada pelo vereador Wanderley Cerqueira (MDB) e seus aliados. 

Dentre as suspeitas estão o pagamento de vantagem em troca de apoio político para a eleição da Mesa Diretora, que tinha Wanderley como candidato à reeleição, e para o favorecimento de empresas em contratos públicos. Inquérito deu origem à operação Cathedra Venalis, que teve como alvos 15 vereadores, dentre parlamentares de Várzea Grande e Cuiabá, incluindo Cerqueira. 

Segundo o Gaeco, os relatos também fazem referência "à suposta utilização de mecanismos de gravações clandestinas de reuniões, coação política (chantagens), ocultação de provas e atuação coordenada de agentes públicos e particulares em benefício de interesses da organização criminosa". 

O plano também previa a cassação da prefeita que, inicialmente, beneficiaria o ex-prefeito de Várzea Grande, Tião da Zaeli (PL). No entanto, com a renúncia dele, o principal beneficiário da trama seria Wanderley Cerqueira que ascenderia ao Executivo. Relatório cita, inclusive, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Uniformes contra Flávia, que acabou enterrada devido à falta de provas fidedignas.

A "testemunha sem rosto" narrou ainda a operação de um esquema de mensalinho no legislativo várzea-grandense cujo pagamento era de R$ 10 mil a título de propina mensal, segundo o relato. Outra forma de comprar o apoio na Casa de Leis seria o loteamento de cargos vinculados à Mesa Diretora.

Todas as denúncias ainda são investigadas e, caso comprovadas, serão levadas formalmente à Justiça. Na terça-feira, os agentes do Gaeco apreenderam documentos e aparelhos eletroeletrônicos que podem aprofundar as investigações e fornecer subsídios para eventual denúncia.

 

 

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