Familiares e amigos criaram uma página no Instagram, intitulado "Caso Elias", para apresentar a versão do serralheiro Elias Samuel Delgado da Silva, preso por suspeita de participação no desaparecimento e homicídio do professor Breno Antonio Humberto de Moraes, de 25 anos, que foi encontrado morto no bairro 13 de Setembro, em Várzea Grande, após 12 dias.
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Criada no fim de semana, a página já possui 906 seguidores e tem feito uma série de publicações de vídeos questionando a condução das investigações pelo delegado Bruno Abreu Magalhães, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que pediu pela prisão temporária de Elias.
Dentre as postagens, estão algumas imagens, que são capturas de tela, em que mostram supostos relatos durante uma conversa online de pessoas que dizem ter sido chantageadas por Breno. Em uma das imagens, uma pessoa que não é identificada, diz que Breno já teria levado um surra de homem do bairro 24 de Dezembro, também por supostas chantagens.
Como publicado pelo HNT, uma das linhas de investigação é se a motivação do crime está ligada a uma suposta chantagem que Breno estaria fazendo com o serralheiro em expor o relacionamento entre ambos para a esposa de Elias.
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O principal questionamento levantado pela página é a divulgação midiática da possível motivação do crime sem provas. Nos vídeos, a página traz recortes de falas do delegado Bruno Abreu à imprensa, tentando criar uma linha do tempo, e contraponto afirmações e como o caso tem sido tratado pelos jornais.
"Um motivo sem prova não é fato. É hipótese. E hipótese não condena ninguém. Antes de compartilhar, pergunte: cadê a prova?", questiona em uma das publicações.
Apesar de manifestar os sentimentos à família de Breno, o perfil tem defendido enfaticamente a existência de uma outra versão dos fatos, que ainda não estaria pública.
"Não é porque alguém é acusado que se pode fazer tudo com ele. Ele tem direito a advogado, a ficar calado, a não ser agredido e a ser ouvido por um juiz. Ninguém está dizendo que ele é inocente. Estamos dizendo: existe a outra versão", afirmou.
Em um das publicações, os amigos e familiares ainda pedem publicamente que Elias passe pelo exame de corpo de delito pelo Protocolo de Istambul, seja ouvido por um juiz na presença de advogado de defesa e acesso da defesa às provas já documentadas.
FAMILIARES E AMIGOS SE REVOLTAM COM PÁGINA
Após criação da página, familiares e amigos do professor Breno vem se articulando na tentativa de derrubar a página. Em grupos de Whatsapp, há uma mobibilização pela denúncia coletiva do perfil, que na avaliação de pessoas próximas tem promovido mais sofrimento à mãe de Breno.
"Por favor, tirem um tempinho pra denunciarr, pedir pra alguma outra pessoa fazer o mesmo. Gente, de verdade, tem uma mãe sofrendo e ainda tem que passar por isso, é um absurdo como as pessoas lgbts são tratadas até depois de mortas", disse uma das amigas da família.
O CASO
Breno deixou de dar notícias à família após informar que iria se encontrar com alguém na noite de seu desaparecimento, em 26 de setembro. Em imagens de câmeras de segurança, ele foi flagrado esperando por alguém que chega em uma motocicleta. Eles aparecem conversando brevemente e saem do local juntos. Pelas imagens, porém, não é possível identificar a moto ou a placa.
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O caso ganhou repercussão local por meio de mobilização nas redes sociais pelo irmão gêmero do professor, Bruno Humberto. Estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) chegaram a fazer uma caminhada para cobrar informações sobre o paradeiro do professor.
O corpo de Breno foi encontrado na tarde da última quinta-feira (8), horas após a prisão do serralheiro Elias, que incialmente negou o crime, mas depois confessou a participação. Outros envolvidos são procurados.
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TORTURA E CRUELDADE
O laudo pericial sobre a morte do professor revelou sinais de extrema violência e apontou, preliminarmente, 13 ferimentos provocados por instrumento cortante em regiões vitais. Breno sofreu lesões profundas no pescoço e no abdômen e três cortes na genitália externa, o que causou choque hemorrágico.
O delegado Bruno Abreu afirmou que os cortes podem indicar sofrimento intencional e precisam ser investigados para esclarecer a finalidade da agressão. Entre as hipóteses consideradas está a possibilidade de tortura, inclusive para obtenção de informações.
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A Polícia Civil continua apurando a motivação do crime, a dinâmica das agressões e a possível participação de outras pessoas. A hipótese de tortura e a eventual aplicação de qualificadoras ainda dependem da análise dos elementos reunidos na investigação.
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