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Justiça Domingo, 07 de Junho de 2026, 14:38 - A | A

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Domingo, 07 de Junho de 2026, 14h:38 - A | A

DETERGENTE NA TRIBUNA

Ranalli vira alvo do MPMT após levar frasco de Ypê para sessão na Câmara

O parlamentar Rafael Ranalli (PL) levou o produto para o plenário de Cuiabá e acusou a Anvisa de perseguição; Promotoria investiga elo político com donos da marca e riscos à saúde da população

BIANCA MORTELARO
da Redação

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) instaurou uma Notícia de Fato para investigar o vereador Rafael Ranalli (PL) por suposto uso indevido da tribuna da Câmara Municipal para promover e defender a marca de detergentes Ypê. A empresa tornou-se alvo de polêmica após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspender a comercialização e produção de lotes de seus produtos devido ao risco de contaminação por uma bactéria.

A investigação do MP foca na utilização do espaço público para fins privados e na possível motivação política da defesa, uma vez que os proprietários da Ypê são conhecidos financiadores de campanha do Partido Liberal (PL), legenda do parlamentar.

LEIA MAIS: Ranalli leva Ypê à tribuna e diz que Lula usou Anvisa para favorecer irmãos Batista; veja vídeo

O episódio que motivou a denúncia ocorreu quando Ranalli levou um frasco do produto para seu pronunciamento oficial, acusando a Anvisa de atuar politicamente para beneficiar concorrentes. O parlamentar alegou que a suspensão seria uma "coincidência" para favorecer marcas ligadas a grupos empresariais apoiadores do governo federal.

Contudo, a representação protocolada na Ouvidoria-Geral aponta que os donos da Ypê doaram cerca de R$ 1 milhão para a campanha de Jair Bolsonaro em 2022, o que reforçaria o vínculo de interesse entre o vereador e a empresa.

Além da questão ética e partidária, o Ministério Público analisa o impacto das declarações do vereador na saúde pública, em que sugere que o discurso de Ranalli pode ter prejudicado a efetivação de medidas preventivas contra o contágio de doenças, ao descredibilizar alertas sanitários sobre produtos de higiene.

O caso foi encaminhado às Promotorias de Justiça da Capital para a coleta de informações e análise de possíveis diligências adicionais.

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