A servidora pública Rosemar da Silva Santos formalizou nesta terça-feira (3) representação criminal contra Gilmar Aguilhera Prenzler, apontado como motorista do carro que a atropelou durante uma comemoração pela reeleição do presidente Lula (PT), em Cáceres (225 km de Cuiabá), no dia 25 de outubro. A vítima suspeita que o acidente possa ter sido motivado por divergências políticas. O caso é investigado como lesão corporal culposa na direção de veículo automotor.
O atropelamento ocorreu por volta das 22h50, na Rua 13 de Junho, nas proximidades do restaurante e pizzaria Pipoca, no centro da cidade. Rosemar participava de uma manifestação na Praça Barão do Rio Branco e caminhava em direção ao local onde havia estacionado o carro quando foi atingida por um veículo branco, modelo hatch.
Segundo o boletim de ocorrência, o automóvel era ocupado por várias pessoas. Após o impacto, o motorista teria deixado o local sem prestar socorro. Rosemar foi encontrada desacordada e recebeu ajuda de pessoas que estavam nas proximidades. Ela foi levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) por uma amiga que a acompanhava.
A vítima sofreu fraturas no rosto, nas mãos e no pé. Em depoimento à Polícia Civil, afirmou que não se lembrava do momento do atropelamento porque havia perdido a consciência. Também disse que usava uma camiseta vermelha durante a manifestação, mas não soube afirmar se essa circunstância teria relação com o ocorrido.
Ao HNT, Rosemar afirmou que o motorista não teria como deixar de vê-la e questionou o fato de ele não ter prestado socorro imediatamente após o acidente.
“A gente estava ali, eu de vermelho, ela [a amiga] de vermelho, meu cabelo de trança, loira, eu sou grande, ela é grande também. Acredito que não tem como não ter visto. Apesar do momento em que eu estava perto da moto e ela entra para conversar comigo à minha direita, enquanto eu estou indo para a rua, o carro vem atrás. Ele poderia ter freado, ter buzinado”, explicou.
A amiga Suyane de Araujo Giansante, que caminhava com Rosemar, relatou que percebeu a queda repentina da vítima. Ao olhar para trás, viu um carro branco, de quatro portas, reduzir a velocidade e fazer uma manobra como se fosse estacionar. O veículo chegou a parar, mas deixou o local após alguns instantes.
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Também ao HNT, Suyane relatou que, mais de uma semana após o atropelamento, Rosemar ainda enfrentava dificuldades para se alimentar por causa das fraturas. A vítima também passou por diversos exames, realizados por ter plano de saúde.
“Eu não posso mastigar nada, tudo o que eu tenho que comer é caldo ou amassado. Todos esses dissabores ficaram para mim, para ele não ficou nada”, afirmou Rosemar.
Em declaração à Polícia Civil, Gilmar negou ter atingido a vítima intencionalmente ou por motivação política. Segundo sua versão, ele trafegava pela rua em velocidade reduzida e não percebeu o momento da colisão. Disse que foi avisado pelo sobrinho de que uma pessoa havia sido atingida.
O motorista afirmou que estacionou alguns metros adiante, desceu do veículo e ofereceu ajuda à vítima, que estaria consciente e apresentava sangramento no rosto. Segundo ele, pessoas que estavam no local recusaram a assistência e reagiram de maneira alterada. Por receio de colocar a família em risco, decidiu deixar o local. Gilmar disse ainda que pediu ao sobrinho que acionasse o serviço de emergência.
A Polícia Civil apura as circunstâncias do atropelamento e a possível omissão de socorro.
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