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Política Domingo, 04 de Outubro de 2026, 20:14 - A | A

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DE MÃOS VAZIAS

Jayme não disputa, Júlio é derrotado e família Campos não conquista mandato após 54 anos

Não reeleição de Júlio e fim do mandato de Jayme no Senado encerram ciclo iniciado com chegada da família à Prefeitura de Várzea Grande

GABRIEL BARBOSA
Da Redação

Foto: Reprodução

Julio Campos e Jayme

A família Campos ficará sem representantes em mandatos eletivos a partir de 2027, encerrando um ciclo de pelo menos 54 anos de presença direta na política de Mato Grosso. O marco é calculado a partir da eleição de Júlio Campos para a Prefeitura de Várzea Grande, em 1972, quando ele tinha 26 anos.

Júlio Campos (União) não conseguiu se reeleger deputado estadual neste domingo (4) e terminou a apuração com 18.512 votos. O irmão, Jayme Campos (União), não disputou a eleição deste ano e permanecerá no Senado apenas até o fim do mandato, em 2027.

Com a saída de Júlio da Assembleia e o encerramento do mandato de Jayme, os dois irmãos, que durante décadas ocuparam alguns dos principais cargos públicos do Estado, deixarão de ter mandato eletivo simultaneamente.

A mudança representa o fim de uma longa sequência de presença dos Campos em cargos políticos de Mato Grosso, iniciada ainda na década de 1970 e marcada por prefeituras, Governo do Estado, Câmara dos Deputados, Senado e Assembleia Legislativa.

A trajetória eleitoral dos Campos começou com a base construída em Várzea Grande.

Júlio foi eleito prefeito do município em 1972 e, posteriormente, chegou à Câmara dos Deputados, ao Governo de Mato Grosso e ao Senado. Também participou da Assembleia Nacional Constituinte e exerceu mandato de deputado federal em outros períodos.

Jayme seguiu caminho semelhante. Foi prefeito de Várzea Grande, governador de Mato Grosso e senador, cargo que ocupa atualmente. Os dois irmãos chegaram, portanto, ao Governo do Estado em momentos diferentes e construíram carreiras que ultrapassaram as fronteiras de Várzea Grande.

A origem política da família, porém, é anterior à trajetória dos dois irmãos. O pai deles, Júlio Domingos de Campos, conhecido como Seo Fiote, foi vereador e prefeito de Várzea Grande e é apontado nas fontes históricas como o patriarca da família.

54 ANOS DEPOIS

A eleição de Júlio para prefeito, em 1972, é o ponto mais claro para estabelecer o período de presença eleitoral contínua dos Campos. De lá para cá, a família esteve representada em diferentes níveis da política mato-grossense. Júlio ocupou os cargos de prefeito, deputado federal, governador, senador e deputado estadual, além de ter passado pelo Tribunal de Contas.

Jayme também acumulou os cargos de prefeito, governador e senador. Em 2022, Júlio voltou ao cenário eleitoral ao ser eleito deputado estadual pelo União Brasil com 33.800 votos. Quatro anos depois, não conseguiu renovar o mandato.

Na eleição deste domingo, ele recebeu 18.512 votos e ficou atrás dos candidatos da Federação União Progressista que conquistaram as duas cadeiras destinadas à composição: Dilmar Dal Bosco, com 56.277 votos, e Sebastião Rezende, com 32.095.

ÚLTIMO CAPÍTULO

A saída de Júlio ocorre após um dos períodos mais turbulentos da relação dos Campos com o União Brasil. Em 2026, ele foi um dos principais articuladores da tentativa de lançar Jayme Campos ao Governo de Mato Grosso. O movimento colocou o grupo em confronto com a direção partidária ligada ao governador Mauro Mendes e à candidatura de Otaviano Pivetta.

Na convenção do União Brasil, em julho, a proposta de candidatura de Jayme foi derrotada por 30 votos a 19, com um voto nulo e uma ausência. O partido decidiu apoiar Pivetta. Depois da derrota interna, Júlio permaneceu no União Brasil e concorreu à Assembleia. Durante a campanha, apoiou Wellington Fagundes para o Governo, embora também tenha afirmado que poderia manter uma relação política com Pivetta caso ele vencesse.

A tentativa de Jayme voltar ao Governo, portanto, acabou sendo o último grande movimento eleitoral do grupo dos Campos antes da mudança que se concretiza com o resultado deste domingo.

JAYME ENCERRA CICLO

Jayme não perdeu a eleição de 2026 porque não foi candidato. O senador exerce mandato iniciado em 2019, com término previsto para 2027. Na disputa deste ano, as duas vagas para o Senado em Mato Grosso ficaram com Mauro Mendes (União) e Zé Medeiros (PL).

Assim, quando o atual mandato de Jayme terminar, os dois irmãos deixarão de ocupar simultaneamente cargos eletivos. A família, porém, não desaparece da política mato-grossense. O resultado representa o fim da presença institucional dos irmãos em mandatos eletivos, e não permite afirmar que os Campos tenham perdido toda influência ou participação política no Estado.

A história dos Campos atravessa diferentes gerações e partidos. Júlio e Jayme construíram suas carreiras em uma sequência que passou por ARENA, PDS, PFL, DEM e, posteriormente, União Brasil. A família também manteve forte vínculo com Várzea Grande, município que funcionou como principal base política do grupo.

Ao longo de mais de cinco décadas, os Campos passaram pela Prefeitura, Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados, Senado, Governo de Mato Grosso e Tribunal de Contas. Agora, a partir de 2027, pela primeira vez em décadas, nenhum dos dois principais nomes da família estará exercendo mandato eletivo.

É o encerramento de um ciclo iniciado em 1972, quando Júlio Campos chegou pela primeira vez a um cargo público escolhido pelo voto.

RESULTADO

Na atualização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) das 20h01 deste domingo, com 8.284 das 8.287 seções totalizadas, Júlio Campos aparecia com 18.512 votos na disputa pela Assembleia. Jayme Campos não constava entre os candidatos ao Senado.

Mauro Mendes recebeu 1.186.981 votos e Zé Medeiros, 977.597, ficando com as duas vagas disponíveis.

Com o resultado, os Campos deixam de ter representação direta em mandatos eletivos a partir do encerramento do atual mandato de Jayme e da conclusão da legislatura de Júlio.

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