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Brasil Terça-feira, 03 de Novembro de 2026, 12:56 - A | A

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Terça-feira, 03 de Novembro de 2026, 12h:56 - A | A

EM 4 SEGUNDOS

Casal confunde rampa de rio com estrada e some após caminhonete afundar 

Segundo o delegado, casal não conhecia a região e entrou por engano em um condomínio fechado. Imagens indicam tentativa de dar marcha à ré antes de o veículo afundar. Buscas por João Luiz continuam.

G1

Reprodução

casal rampa ms

A Polícia Civil considera que a entrada de uma caminhonete no Rio Ivinhema, entre Angélica e Nova Andradina (MS), foi um acidente. Segundo o delegado Gustavo Oliveira, responsável pela investigação, não há indícios de feminicídio ou suicídio.

A principal hipótese é que o casal tenha entrado por engano em uma área de acesso ao rio, sem conhecer as características do local. O acidente aconteceu na noite deste domingo (1º).

As vítimas foram identificadas como Estela Tomazetto, de 48 anos, e João Luiz dos Santos, de 56 anos. Os dois são do Paraná e trabalhavam em uma fazenda da região. O corpo de Estela foi encontrado dentro da caminhonete, enquanto João Luiz continua desaparecido. As buscas seguem em andamento nesta terça-feira (3).

De acordo com o delegado, o casal não morava no condomínio fechado onde ocorreu o acidente e também não estava hospedado ou alugando algum imóvel na região. Por isso, a entrada no local teria acontecido por engano.

Outro fator que pode ter contribuído para a confusão é que vários trechos das estradas próximas estavam alagados. Em alguns pontos, a água chegava à altura das rodas de veículos altos, como caminhonetes. A avaliação da polícia é que o casal pode ter confundido a rampa de acesso ao rio com mais um trecho de estrada coberto pela água.

A investigação também apura relatos de que os dois teriam passado o dia consumindo bebidas alcoólicas. Segundo o delegado, essa circunstância, somada a outros fatores, pode ter prejudicado a percepção dos ocupantes.

A análise técnica das câmeras de segurança também reforçou a hipótese de acidente, segundo a Polícia Civil.

IMAGENS MOSTRAM TENTATIVA DE VOLTAR

De acordo com o delegado, as imagens mostram que, cerca de quatro segundos depois de a caminhonete entrar na água, o motorista aciona o freio e engata a marcha à ré. A mudança pode ser percebida pelas luzes traseiras do veículo.

Para a polícia, o movimento indica que o motorista percebeu o erro e tentou voltar, mas não conseguiu evitar que a caminhonete afundasse.

A análise das imagens também mostra que Estela estava sentada no banco do veículo e segurava a alça de segurança, normalmente usada pelos passageiros para se apoiar durante a passagem por obstáculos.

Segundo o delegado, não há sinais de que ela estivesse sendo segurada por outra pessoa, em meio a uma discussão ou sendo forçada a permanecer no veículo. Os gritos de socorro ouvidos nas imagens teriam começado somente depois que a caminhonete entrou na água e começou a afundar.

PORTA ABRIU NO FUNDO DO RIO

Outro ponto analisado pela polícia foi a dificuldade de os ocupantes deixarem a caminhonete antes que ela afundasse.

Segundo o delegado, a rampa estava mais alagada do que o habitual, o que dificultava enxergar o declive acentuado. Além disso, em apenas quatro segundos após a entrada na água, o rio já havia invadido a cabine e coberto a porta.

Com a pressão da água, abrir as portas de um veículo submerso se torna muito difícil. A polícia também destaca que o local já atinge cerca de seis metros de profundidade nos primeiros metros depois da rampa.

A perícia nas imagens não identificou nenhum momento em que os ocupantes tenham conseguido sair da caminhonete.

A porta teria se aberto somente depois que o veículo já estava no fundo do rio. A suspeita é de que a pressão da água tenha provocado a abertura e lançado uma das vítimas para fora. Essa pessoa ainda não foi localizada.

A força da correnteza também deslocou a caminhonete por aproximadamente 40 metros pelo fundo do rio.

POLÍCIA DESCARTA, ATÉ O MOMENTO, MORTE INTENCIONAL

O delegado afirmou que a investigação não encontrou histórico de violência entre o casal nem outros elementos que indiquem uma morte intencional.

Segundo ele, a hipótese trabalhada é de um acidente provocado por um erro de percepção sobre as condições do acesso ao rio.

As equipes do Corpo de Bombeiros continuam as buscas por João Luiz. A investigação segue para esclarecer todos os detalhes do acidente.

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