Um fiel da igreja católica denunciou ao Vaticano o padre Vandilson Pereira Sobrinho e o bispo Dom Paulo Renato Fernandes Gonçalves de Campos, da Diocese de Barra do Garças (520 km de Cuiabá), por supostas irregularidades financeiras e omissão institucional. O encaminhamento foi feito por meio da Nunciatura Apostólica e dos Dicastérios para o Clero e para os Bispos.
O padre é acusado de operar um sistema de "caixa dois", desviando dízimos, ofertas e lucros de festas paroquiais para suas contas pessoais nos bancos Bradesco e Nubank, utilizando o argumento de que as paróquias eram ‘pobres’ para evitar o repasse obrigatório de 20% à Diocese.
O caso também envolve a suspeita de improbidade administrativa, nos termos da Lei n° 8.429/1992, devido a uma suposta simulação de notas fiscais com uma instituição pública para viabilizar doações à igreja.
As investigações financeiras ganharam força após a saída do padre Vandilson das paróquias de Ponte Branca e Araguainha, momento em que o novo pároco registrou que a arrecadação do dízimo quase duplicou em relação aos valores anteriormente declarados pelo investigado.
Além dos desvios, a denúncia aponta violações trabalhistas alegando que funcionários da paróquia eram obrigados a realizar serviços domésticos particulares para o clérigo sem a devida remuneração.
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No aspecto administrativo da Igreja, o Vandilson é acusado de esvaziar os conselhos pastorais e econômicos, tomando decisões de forma monocrática em violação aos Cânones 536 e 537 do Código de Direito Canônico.
A crise institucional se estende ao bispo diocesano, Dom Paulo Renato, que é alvo de denúncia baseada no Motu Proprio Vos Estis Lux Mundi, norma do Papa Francisco que estabelece a responsabilidade de bispos omissos diante de denúncias de abuso espiritual, assédio moral e violência psicológica do fiel que fez a denúncia ao Vaticano.
De acordo com os autos, o bispo ignorou três pedidos formais de afastamento cautelar do padre e, em 4 de fevereiro de 2025, decidiu unilateralmente desligar a vítima do processo vocacional, contrariando a votação do Conselho Presbiteral que não formou maioria para tal medida.
O ex-seminarista envolvido, que preferiu não ser identificado, relata prejuízos profissionais e financeiros significativos, tendo abandonado cargos com rendas que somavam mais de R$ 20 mil mensais para se dedicar à Igreja, sem receber o devido processo canônico justo antes de seu afastamento.
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