O professor de Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), Jofran Oliveira, postou em seu perfil do Instagram uma carta de despedida pedindo perdão para o filho, Levi José, de três anos. Ele esqueceu a criança na cadeirinha do carro no dia 19 de março de 2026, levando ao falecimento dela. A carta foi postada nesta segunda-feira (13) e expressa muita culpa, dor e saudades do filho, além de agradecer à família e comunidade pelo apoio.
“Começo essa carta dizendo que tenho o maior orgulho do mundo em ser o seu ‘papaizito’. Para sempre serei”, dessa maneira Jofran iniciou o texto. Ele relembra a curta vida da criança desde a gravidez, dizendo que foi muito desejada e amada por toda a família. Relembrou as dificuldades que a esposa passou na gestação, das lembranças que guardou da época e dos primeiros momentos do filho com a família após o nascimento.
“Confesso que nunca vi um amor tão lindo quanto o seu com a sua mãe. Puro, forte, intenso. Visceral. Parece até que o amor foi concentrado, tinha pressa pra amar.”
O professor dedicou um pedaço da carta para falar do amor que a irmã, os dindos e a avó nutriam por Levi. Envolto de apelidos carinhosos dados por alguém que ainda estava aprendendo como falar as primeiras palavras, o texto transmitiu o vazio que o menino deixou na família.
“Nossa casa parece um Museu em sua homenagem. Seus amigos continuam a nos visitar, brincar com seus brinquedos, assistir aos seus desenhos, jogar videogame, sempre lembrando as suas frases e peripécias. Você sempre espalhou muita alegria e amor por onde passava, e esse amor transbordou em todos nós.”
O professor contou que ter um irmão como Levi era o sonho da filha, relembrou o carinho do menino com os padrinhos e lamentou a lista de compras que a avó fez para quando visitasse uma loja, apenas os dois, e que agora permanecerá só no papel.
“Vou confessar outra coisa: eu nunca tinha ouvido sua avó Francisca falar ‘eu te amo’, e fiquei encantado ao ouvir o quanto ela falou isso para você, e você também falava para ela.”
Por fim, Jofran pede perdão ao filho, à Deus e a todos que amaram Levi. Lamenta a forma como o menino partiu e descreve a imensa tristeza que sentiu no momento que soube da morte dele. Na ocasião, o professor teve um princípio de infarto e precisou ser internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Na carta, Jofran expressa uma culpa profunda e afirma “desejar trocar de lugar” com a criança.
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“Senti a maior vergonha que jamais imaginei ser capaz de sentir. Deus me deu um tesouro para amar e cuidar, e eu me descuidei. Perdão, meu amor. Perdão meu filhinho. A minha fragilidade nos levou a uma tragédia, e eu levarei essa dor dentro do meu coração pelo resto da minha vida.”
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