A Justiça de Mato Grosso aceitou a denúncia do Ministério Público (MPMT) e tornou réu, nesta quinta-feira (18), o advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos, de 71 anos, pelo atropelamento e morte da pedestre Ilmis Dalmes Mendes da Conceição, de 72 anos. A decisão, proferida pelo juiz Juliano Hermont Hermes da Silva, da 1ª Vara Criminal de Várzea Grande, estabelece que o acusado responderá por homicídio qualificado com dolo eventual, além dos crimes conexos de omissão de socorro e fuga do local do acidente.
O magistrado considerou haver material probatório mínimo para a deflagração da ação penal, após o MP sustentar que o condutor assumiu conscientemente o risco do resultado morte ao atingir a vítima em janeiro deste ano, na Avenida da FEB.
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Com a abertura do processo, a defesa de Paulo Roberto possui agora o prazo legal de 10 dias para apresentar resposta escrita à acusação, juntar documentos e arrolar até oito testemunhas. Caso os argumentos preliminares não levem à absolvição sumária, o processo seguirá para a fase de instrução e posterior julgamento pelo Tribunal do Júri.
Segundo as investigações da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran), imagens de câmeras de segurança indicam que o motorista teria condições de evitar o atropelamento, uma vez que a idosa estava a menos de 50 centímetros de concluir a travessia quando foi atingida. O impacto arremessou a vítima para a pista oposta, onde foi atingida por um segundo veículo.
Em depoimento, o advogado negou ter atropelado a pedestre, alegando que a idosa teria batido contra a lateral de sua caminhonete enquanto ele passava mal e abria a janela para vomitar. A defesa do réu classifica o ocorrido como uma "lamentável fatalidade" e afirma que provará a inexistência de intenção de matar. Apesar da gravidade das acusações e de um histórico criminal anterior, o registro profissional de Paulo Roberto no Cadastro Nacional dos Advogados (CNA) permanece ativo e regular.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aplicou uma suspensão preventiva de 90 dias logo após o crime, mas o processo ético-disciplinar que analisa sua conduta tramita sob sigilo.
ANTECEDENTES CRIMINAIS
Em 1990, quando era policial civil no Rio de Janeiro, Paulo Roberto matou a tiros o delegado Eduardo da Rocha Coelho e fugiu para Mato Grosso, onde viveu por anos sob a identidade falsa de Francisco de Ângelis Vaccani Lima. Utilizando o nome fictício, ele foi condenado em 2004 pelo assassinato e decapitação da estudante de enfermagem Rosemeire Maria da Silva, em Juscimeira, crime pelo qual recebeu pena de 19 anos. Um incidente de idoneidade já havia sido instaurado pela OAB contra ele em 2010.
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